Assim eu te via nos teus quarentas com olhares de meninice.
Olhos impossíveis de desenhar, que tudo escondiam menos a alma que te doía, esse bigode farfalhudo em traços enrolados que optaste por transformar em barba uns anos mais tarde, o meu nariz era mais o teu e não esse tão rígido.
Assim eras tu aos meus olhos de filha única e nunca vou esquecer o momento em que te "vi".
Hoje farias 69 anos.
E se bem nos conheço, tal número seria alvo da minha galhofa para ti. Pelos motivos óbvios e porque para o ano entrarias nos grandes setenta. E haverias de sorrir com a minha palermice, gozarias comigo, e iríamos partilhar o olhar como só nós dois fazíamos...
Não me lembro do teu último aniversário. Talvez porque, apesar de tudo o que passámos, sempre optámos por levar a vida por garantida sem quase nunca saber aproveitar o dia presente, preocupando-nos sempre mais com o passado sem olhos no futuro, esquecendo-nos que o agora já foi há pouco e que o amanhã, não tarda é já ontem. E a vida é tão breve...
Se tivéssemos tido mais tempo, provavelmente faríamos tudo igual, diríamos e sentiríamos o mesmo. Mas criaríamos novas lembranças, novas memórias e essas, sei, nunca seriam demais.
Se tivéssemos tido mais tempo, provavelmente faríamos tudo igual, diríamos e sentiríamos o mesmo. Mas criaríamos novas lembranças, novas memórias e essas, sei, nunca seriam demais.
Hoje era e será sempre o dia do teu aniversário.
Parabéns Pai!
