Era uma vez...


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... a Rita e a sua boneca Rafaela.

A Rita era uma miúda como tantas outras, como eu já fui, que um dia levou um dos seus maiores tesouros para um passeio, para mais uma daquelas aventuras como só elas duas sabiam viver.
Naquela tarde, por entre brincadeiras sem fim, como que se quisesse arriscar a vida a solo, a boneca Rafaela, largou a mão, acabando por se perder em mãos alheias.

E a garota chorou e berrou e chamou e correu atrás de bandidos sem rosto. Nada. E á falta de resposta, a Rita fez o que qualquer adulto faria e dirigiu-se à esquadra mais próxima, quis apresentar queixa contra aqueles que, com um casado azul vestido, tão malvadamente lhe furtaram a sua amiga de sempre, o seu maior bem.

Por momentos, os senhores policias estranharam tamanha insistência e persistência, mas para que pudessem ser enviados na cruzada que para ela era mais importante que tudo, era preciso que a sua mãe, dona do seu castelo, pudesse dar o seu aval.

E assim foi. 
Momentos após a rainha mãe depositava naqueles cavaleiros de escudo ao peito e pistola embainhada, a sua confiança, e a princesa Rita a sua esperança em como o resgate da Rafaela ia ser bem conseguido. Dormiria com toda a certeza melhor nessa noite sabendo que todas as lanternas estariam apontadas para onde quer que a boneca tivesse sido levada.

E a Rafaela continuava sem aparecer. Certamente estaria já em uma outra casa levando a felicidade a qualquer outra menina. E a Rita, triste.

Sem noticias boas para dar, aqueles cavaleiros juntaram-se e ofereceram àquela menina Rita uma outra Rafaela. Não que esta substitua a outra. De todo. A primeira será sempre a número um e todos os sonhos que com ela foram vividos serão sempre, para sempre, parte integrante de cada um.
Com esta, serão construídas novas lembranças, novas brincadeiras, espantosas aventuras, inimagináveis viagens, histórias intermináveis.

E claro, viveram felizes (não vou pôr o para sempre porque já todos sabemos que a Rafaela 2 vai acabar fisicamente numa caixa perdida algures no tempo).

É bom saber que ainda há estórias que acabam em bem e que ainda há gente de coração grande.

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