Archive for setembro 2010

Palavra...


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Palavra de honra.
Ele há dias em que realmente a única coisa que me apetece fazer é isto. Encostar à box. Não fazer nada. Ficar sentada e sonhar. Ficar deitada, fechar os olhos e vá, sonhar na mesma.
Acaba hoje mais um fim de semana. Aliás, a esta hora já devia estar deitada a preparar o sono para um fortíssimo dia de amanhã. E não estou. Não me apetece.
Aliás ultimamente só há uma coisa que me apetece fazer. Dormir. Desaparecer. Pôr aquele ar aborrecido, exigir que não e chateiem e ser levada para outras terras para outros mundos onde exista um pouco mais de... Sei lá! Menos do existe por este mundo anormal.
Querer um mundo normal não devia ser estúpido. Consegui-lo não devia ser impossível. E por isso sim. Encosto à box. Lutar contra marés e remar num barco sozinha nem sempre vale a pena.

Eu só quero que não me aborreçam com coisas parvas que não interessam a ninguém, só quero que deixem de me fazer perder tempo com trivialidades, só quero que se passe a dar valor ao que a pessoa é de facto e não àquilo que se quer que seja, que se acredite nas qualidades e se tente melhorar os defeitos, quero honestidade, lealdade, humanidade.

Chegou o Outono


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Chegou o Outono.

Chegaram as noites frescas, os dias mais curtos, as constipações, as folhas caídas pela calçada, o cheiro da terra molhada pelas primeiras chuvas.

Não é que tenha grande desconsideração por esta época do ano, faz-me lembrar que o ritmo frenético do Natal está a chegar e não me apetece, mas lembra-me que Novembro está aí à porta.


E porquê Novembro? Porque, e sempre por acaso, sem que planeie, em todos os Novembros desde há quatro anos a esta parte acontece alguma coisa de diferente ou especial na minha vida.

Ora uma operação há muito desejada que mudou por completo a minha vida e forma de estar, ora uma ida que me deu muito mais que uma viagem intercontinetal.
E este ano, o Novembro não será diferente.
Trará uma outra viagem, aquela que já não sonhava sequer em fazer, aquela que quando se é adolescente que vê um Trainspotting, calça bota Doc Martins e é fã dos The Clash quer fazer e jura que não morre sem antes lá ir.

É verdade. Depois da alegre Paris, da soalheira Nice, da estranha Madrid, da dinâmica Copenhaga, da quente e fervorosa Salvador da Bahia, visitarei as frias terras de Sua Majestade.

Não é que agora não me entusiasme com a ideia de ver um Big Ben ou um Parlamento ao vivo e a cores (meio destoadas porque o sol de Londres não é muito amigo!), mas é diferente. Agora sinto-me mais pessoa de Nova Iorque, Metropolitan Museum, Big Apple, Times Square. Mas, cotentar-me-ei com o West End, com Notting Hill e o tube e, também este Novembro, estarei contente por ver sitios que nunca vi, ouvir falar outra lingua que não o português, ver caras diferentes, sentir experiências não antes vividas.

Chegou o Outono.
O primeiro frio. O cheiro da castanha assada nas ruas lisboetas.
Mas Novembro, esse, nunca mais chega!...

O silêncio deve ser o melhor remédio...


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O que é uma pessoa culta?
O que torna uma pessoa num ser inteligente?
O que é ser excessivamente frontal?
O que transforma um emprego num trabalho e vice versa?
O que é ser preocupado?
Onde é que se desenha a linha entre o respeito e a falta dele?

Aparentemente, no tal meu pseudotrabalho não há muita gente que saiba as respostas.

Esta semana não tem sido particularmente fácil. Aliás, minto. Estes dois últimos meses não têm sido pêra doce. Muito pelo contrário.
Entre desilusões, quiçá falsas perseguições, inimizades e mentiras, redescobri o carinho de alguns que me têm cercado nos momentos mais difíceis. Da mesma forma que redescobri o quanto algumas pessoas conseguem ser imorais, falsas.
E se magoa? Sim. Bastante.
Se já não deveria estar habituada? Sim. Devia.

Custa-me entender que se penalize, se persiga uma equipa que trabalha e que faz o melhor que consegue fazer com as ferramentas que lhe são dadas. Custa-me entender que se deite abaixo o que muito tempo demorou a construir, por simples capricho. Custa-me entender que se aponte o indicador a quem trabalha e a quem exige que se trabalhe de volta.

Será a solução por uma mordaça e calar o que está mortinho por saír?
Será que o melhor remédio é o silêncio?

O meu mundo não é esse.
O meu mundo não é assim. Poderá ser idílico, poderá ser virtual, poderá ser de sonho ou de pesadelo, não me interessa. Mas não consigo conceber um sitio onde exista a inveja, o ciúme, caprichos, a imoralidade, o elitismo, a burrice.
Mas ele existe, é um facto, é real. E não consigo viver nele. Não consigo...

Redes Sociais


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Isto das redes sociais tem muito que se lhe diga.

Infelizmente, por motivos de trabalho tenho tido um contacto diário com as parvoices estúpidas (sim, são mesmo parvas e estúpidas!) que as pessoas postam.

Pessoas que, muito possivelmente, se lamentam que a camera A e B estão a apontar e não podem filmar, que se queixam aparecem em fotografias de e para o google earth, são as primeiras que não se importam minimanente em escrever no seu facebecas (como fofinhamente chamo ao facebook) o que estão a fazer, o que pensam, de quem pensam, porque pensam. E a ideia final é: Será que pensam?!

Todos os estranhos são amigos, todos aqueles que são conhecidos são convidados para fazer parte de um grupo virtual de gente que só serve para fazer número. É quase como que uma batalha para ver quem tem mais amiguinhos com quem não se fala há anos e até com quem não se tem uma relação ou se se teve nunca ou quase nunca foi nada de especial.

Há dias ouvi a história de uma miúda de 14 anos que, para festejar o seu 15º aniversário, decidiu postar no seu "becas" o grande acontecimento para o qual gostaria de convidar apenas 15 pessoas - uma por cada ano de vida. Poderiamos pensar: Ooooooooooooh... Tão bonitinho.... e ficar quem sabe, vá!, sensibilizado. Pois. Não. Para a commoração queriam aparecer mais coisa menos coisa 21 mil "amiguinhos". Tough luck. Ninguém mandou. Desconvida toda a gente, e nada de festa para ninguém. E a ideia final é: Será que alguém se lembra do belo do convite de antigamente entregue em mãos ou pelo correio? Sim, daqueles com bonecos janotas e extremamente inventivos e balões desenhados.

Enfim.
Redes socias são, no fim, uma autêntica palermice.

Sshhhh....


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Sssshhhh. Pouco barulho. Silêncio. Calem-se.
Resumo: Lápis Azul.
Irra que a mim só me cala quem eu quero e quando quero. E, a chegar lá, só mandam a primeira, não mais. Não é porque desagrado a muita gente que vou deixar de dizer o que penso, quando penso.
Defeito primo: Refilar em demasia.
Mas até me provarem por a+b que não tenho razão em fazê-lo, continuare.
Defeito: Timing imperfeito.
Verdade. Nem sempre obtenho a mudança pretendida e muitas vezes o efeito contrário mostra-se.
Consequência: Nem sempre a mais gostada, quase sempre odiada.
Correcto.
Não quero saber. Não me interessa. A opção é minha.
Se dissesse tudo o que me vai na alma a todos aqueles que de uma forma ou de outra me incomodam com as suas tonterias e palermices e hipocrisias e tudo gerava-se uma cena tramada e meio surreal digna de um filme de Tarantino. E, não obstante não o faço, quiçá por respeito a mim.

Ultimamente tem havido uma série de coisas que me têm tirado do sério. Mas infelizmente, ou talvez não, e estúpidamente ainda vou respeitando quem não me respeita. Passando um lápis azul em quase todo o meu pensamento que urge.
Calando-me.

Sonhos...


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Há sonhos que sonhamos a dormir, sonhos que sonhamos acordados. Ambos nos tiram deste mundo e nos carregam para um outro que só para nós existe...

Entre arcos iris e cores fantásticas, por entre ruas conhecidas que afinal nos são estrangeiras, por entre pretenções e faces que juramos nunca termos visto, por entre lagoas, rios e mares que acreditamos nunca ter nadado antes, na companhia de animais que se tornam familiares, sou levada onde acredito nunca ter ido antes. Há gnomos e duendes e fadas e escorregadelas por entre quedas de água que terminam embaranhadas em nuvens fofas. Há noites sem fim e dias intermináveis. Há o riso e o silêncio. O Amor. A Vida. A Felicidade.

Afinal, os sonhos são feitos por nós próprios

Eu sei que não sei tudo. Mas sei que gostava de sonhar mais. De poder mais.
Mas enquanto continuar a sonhar, tudo é possível...

Falsos ídolos


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" Um ídolo é, originalmente, um objecto de adoração que representa materialmente uma entidade espirtual ou divina, e frequentemente é associados a ele poderes sobrenaturais, ou a propriedade de permitir uma comunicação entre os mortais e o outro mundo. (...)"

Ora mas que raio é que têm os concorrentes do Ídolos à portuguesa, e até os seus vencedores, têm a ver com a descrição acima?! Hummmm...
Nada. Rigorosamente, nada.

Não entendo. Não consigo perceber como é que ainda há pessoas que se prestam a papéis tão raros como aqueles que ousei ver ontem à noite.
Têm sonhos?! Eh páh oh paizinhos levem os catraios a sonhar por outra coisa qualquer... Não os façam passar pela vergonha de serem gozados por um Portugal que não tem mais nada de interessante para ver a um Domingo à noite.
Já não há paciência. Não há pachorra para ver e ouvir, aquelas vozes meio esganiçadas e muito desafinadas que em vez da admiração que pretendem obter, apenas conseguem sacar uma risota bem dada.
Isto não é propriamente o American Idol e nem pode querer ser... Um Manuel Moura dos Santos não pode nunca querer ambicionar ser um Simon Cowel, e nem uma Roberta Medina pode querer fazer o papel de uma Ellen DeGeneris ou da Kara Dioguardi. Este Idolos em miniatura não é nem pode querer sequer parecer um American Idol. Não tem as ferramentas, não tem o dinheiro, não tem as infraestruturas, as causas sociais e, aparentemente, nem a seriedade.
Ambição é bom. Mas não devemos deixar que se chegue ao ponto do ridiculo.

Já chega...


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Já o Papa Bento cá esteve faz um tempão e continua a estar "postada" em dois dos pilares do Cristo Rei uma mensagem (que não é bem esta) a ele destinada.

Ora bem. Que eu saiba não está prevista uma outra visita para tão cedo, nem para tão tarde. Não está e pronto. Tem outros afazeres, certamente.
Ora e se não iremos ter aquele circo montado, e se assim é, porque raio continuam a estar presas ali aquelas duas tiras mal amanhadas?

Alguém avise os responsáveis daquele Santuário...


Muda, surda e cega


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Num mundo normal, não deveria ser preciso chegarem-se a extremos.

Já no nosso é preciso fazer um esforço para ficar muda e não mandar alguém passear ao bilhar grande ou ver se está a chover, surda para não ouvir as barbaridades que se escutam e se tentam não assimilar, cega para não olhar para a estupidez que muitas vezes me rodeia.

O nosso país é rei no reino das lamentações. Julgo até, por vezes, que este deveria ter sido o nome que o Fundador deveria ter dado. Em vez de Condado Portucalense, Condado da Lamentação. Mas na altura as coisas eram diferentes, lutava-se por aquilo em que se acreditava, acreditava-se. Deixavam-se os queixumes para trás das costas e seguia-se em frente e Portucalense parecia um bom nome...

Hoje, estar parado numa fila numa qualquer repartição, aguardar num balcão de café, estar por estar numa qualquer esplanada, praia ou afins, é um atentado.

Experimentem. Tenham a experiência da natureza portuguesa - o reclamar.

O povo refila porque está sol e ai que incadeia, porque está de chuva e ah Jesus que molha e não se trouxe o chapéu de chuva. Reclama porque está frio e saca do casaco, do calor porque não pode andar despido, porque o chão demasiado limpo e nada do que parece é,porque está sujo e as pessoas são uma porcas. Porque se fala demais quando se diz de menos, porque pouco se fala quando há muito para dizer. Porque está muita gente ou porque não está ninguém. A água está fria ou muito quente nunca no meio termo.

São considerações, vá, digamos que parvas, mas que a maioria das pessoas não consegue evitar. E não será que deviam?