Archive for março 2011

À luz de velas


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Ontem à noite "celebrou-se" a hora da Terra um pouco por todo o planeta. Nessa hora, várias cidades mundiais desligaram as luzes dos seus principais monumentos, andaram à luz de velas, na esperança de se chamar à atenção para alguns dos problemas ecológicos por que passamos.

Esta imagem encontrei-a no blog thingsweforget.blogspot.com que com uma ideia simples nos lembra que uma hora não basta. Que uns simples  sessenta minutos não são o suficiente, embora de facto ajude a consciencializar alguns e quiçá muitos daqui a uns tempos.

Esse é um post it que deveria ser colado principalmente e primeiramente em todas as nossas consciências.

A Terra precisa de muito mais que uma hora por ano...
A Terra precisa que nos lembremos dela todos os dias, todas as horas com gestos tão simples como o desligar de um electrodoméstico quando não está a uso, como o desligar de uma luz quando o sol ainda está alto, como o reciclar e afins.
A Terra precisa de urgência e cabe-nos a todos prestar esses cuidados de primeira.

E está bem. Enquanto for preciso, enquanto os olhos de todos não forem bem abertos, que venham mais iniciativas assim.. Afinal, devagar se vai ao longe.

Espero que ainda possamos ir a tempo...

Dame Elizabeth


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Esta mulher era de facto dona de uma beleza estonteante e eis que Elizabeth Taylor morreu ontem com os seus já 79 anos.
Dizem hoje que era já a última diva de Hollywood ainda viva e é bem capaz disso... E, à semelhança de outras como Audrey Hepburn ou Bette Davis ou Katharine Hepburn, vai fazer falta.
Não é que me tenha convencido grande coisa em filmes como "Cleopatra" ou "Lassie", mas n"O Gigante" ainda vá que não vá, mas o trabalho espantoso que desempenhou em "Who's Afraid of Virginia Woolf" ou em " Suddenly, Last Summer" conseguiu convencer-me há uns anos.

Não é que seja grande fã, em boa verdade, mas o trabalho que desempenhou com a criação de fundações de pesquisa para a luta contra a SIDA e outras de ajuda a crianças desfavorecidas, é certamente das suas melhoras obras que deixa e que se espera, perdurem.
Esperemos.

A Nossa Culpa, por Mia Couto


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Ora bem.
Quem me conhece e quem tem lidado comigo sabe que me andei por aqui a roer para não escrever nada sobre a tão apelidada geração à rasca. Até me deparar com este texto do, para mim, grande Mia Couto.

Consegue, como sempre, descrever na quase perfeição o que me vai cá dentro sobre o assunto. 

Se não se identificarem e se não conseguirem acenar com a cabeça em algumas, se não em muitas passagens...
Enfim. É extenso, mas vale a pena:

" Um dia, isto tinha de acontecer.
Existe uma geração à rasca? Existe mais do que uma! Certamente! Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.
Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.
A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo. Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos. Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.

Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.

Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação.

E éramos (quase) todos felizes. Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.
Foi então que os pais ficaram à rasca. Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado. Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais. São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.

São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!

A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas. Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados. Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.

Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.

Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso.

Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento.

Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.

Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.

Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.

Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.

Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.

Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração? Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).

Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.

E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupam injusta, imerecida e indevidamente?!!!

Novos e velhos, todos estamos à rasca. Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.

Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.
A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la.

Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam. Haverá mais triste prova do nosso falhanço? Pode ser que tudo isto não passe de alarmismo, de um exagero meu, de uma generalização injusta. Pode ser que nada/ninguém seja assim."

Mia Couto

Artur, simplesmente


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Lá do alto dos seus 90 anos (que dizia pareciam 50) Artur Agostinho partiu para outras paragens, para outros jogos, para outros teatros, outros palcos.

Como também sobre ele muito se irá dizer, escrever, apenas posso dizer aqui que o Artur Agostinho vai fazer falta, muita falta a este país.

A Lua de ontem...


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A Lua na noite passada mostrou-se em HD num céu limpo e para quem a quisesse olhar.
Esteve maior, mais brilhante do que já esteve em 18 anos e sim, à semelhança de tantos outros, dei por mim a olhar para o céu e a tentar descobrir as diferenças entre a Lua de ontem e a da semana passada. 

Honestamente? 
Maior? Pois não sei, mas diz que sim.
Mais brilhante, sim. Foi daquelas alturas em que gostava de morar num sitio onde a luz emanada fosse bem menor e ter o equipamento preciso para tirar umas fotos porreiraças.
O máximo que consegui foi isto aqui ao lado. E sim, parece um candeeiro sem poste, eu sei, mas garanto que é a nossa Lua.

Outra igual agora, só daqui a mais 18 anos. Portanto, até 2029!

Chegou!


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E pronto. É oficial. Chegou a Primavera.

Está a chegar também aquela altura do ano em que, em vez de nos queixarmos de que está muito frio e que chove muito e das inundações decorrentes, nos passamos a lamentar que está muito calor, que 40º é demais, da seca, que não conseguimos dormir, que a praia estava cheia.

É suposto esta ser, à semelhança do Outono, uma altura intermédia nem de muito calor e nem de muito frio, mas, como os deuses andam loucos e tudo o resto de cabeça para o ar, é bem possível que o verão chegue mais cedo ou que o inverno se prolongue por mais um bocadinho.

Mas independente de tudo isso, o alfacinha já teve o seu momento de glória este fim de semana enchendo tudo quanto era praia, largando os casacos em casa e pondo os braços ao léu começando a árdua tarefa da fina arte que é, o bronzear o corpanzil.

Até ao Verão, ainda nos falta o Abril, águas mil e o Maio que se quer com tantos dias de geada, quantos de nevoeiro teve Fevereiro.

E toca a aproveitar!

Fazes-me falta...


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Diz que hoje é o teu dia.
Mas mentem. O teu dia é todos os dias. Porque és eu, fazes parte de mim, porque não há um dia em que não me lembre de ti e da falta que me fazes.

Coragem, filha, costumavas dizer, lembras-te? E muito embora ainda hoje essa coragem muitas vezes me falhe, não há vez nenhuma que não me digas essas palavras todos os dias de manhã.

Não foste o pai perfeito, é verdade. Foste um homem.

Com todas as tuas falhas, faltas e defeitos e qualidades.
Foste um errante na jornada da vida e sempre lutaste por fazer cumprir aquilo em que acreditaste.
Falharam-te as forças, desististe em muitos momentos. Foste um homem.

Fizeram-te menino-homem que teve de crescer demasiado rápido. Fizeram-te sonhador. Lutaste obrigado nas guerras que te eram alheias, carregaste armas que não te pertenciam. Nas tuas batalhas nem sempre foste vencedor. Foste um homem.

Prenderam-te, torturam-te e em momento algum tu cedeste. Nem sempre soubeste afastar os demónios que te fizeram carregar. Viveste um dia de cada vez porque o futuro sempre pareceu não chegar nunca. Foste um homem com "H" maiúsculo.

Nem sempre soubeste mostrar os teus afectos, nem sempre soubeste ser o pai dos filmes cor de rosa, mas ensinaste-me a ser, a crescer, passaste-me o teu existir, falavas-me com o teu silêncio. Fizeste-me sofrer, fizeste-me feliz. E isso, só por si, agora, chega.

E no fim, no último dia, no último segundo, sem necessidade para tal, agradeceste-me em voz alta mas os teus olhos falaram muito mais, como que se soubesses que aquele momento era o nosso último. Neguei-te o obrigado, beijei-te, passei-te a mão pla face e saí sem adivinhar.

Foste simplesmente o meu Pai. E amo-te por isso.
Obrigada eu.

Sem ressentimentos


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Quando é que sabemos que a hora de desistir finalmente chegou?
Quando é que sabemos que já não adianta remar contra a maré?
Quando é que sabemos que é a altura de entregar os pontos e sair?

Sempre me ensinaram a não desistir de rigorosamente nada, ou vem de mim por princípio, sempre optei por lutar com todas as "armas" que tivesse e sempre que achasse que a razão estava do meu lado.E assim fiz, sempre. Raras foram as vezes em que desisti, mas de todas elas fui sempre em frente mesmo que com isso viessem inimizades, incompreensões, tristeza. Na "guerra" sempre dei luta e sempre lutei da melhor maneira que sabia como. 

Mas, como em quase todas as guerras, há sempre um lado que se afasta, há sempre uma facção que cede, que, enfim, desiste. E talvez tenha chegado essa hora.

Por mais que me digam, sê assim, sê assado, faz antes assim ou talvez não, só para agradar mais a gregos que a troianos, lamento informar. Só há uma pessoa no mundo a quem eu tenho que agradar - a mim, e só a mim.

E porque muito embora eu saiba que tenho um feitiozinho filho da puta, também sei que não exijo nada mais aos outros do que exijo a mim, que sempre fui fiel àquilo em que acredito, que sempre me regi pelos valores que me passaram, pelos ideais que fui adquirindo. E sim, tenho momentos de inconstâncias como toda a gente (quem não os tem que atire a pedra primeiro!) e no que ao campo profissional diz respeito, aquele feitiozinho me tem prejudicado bastante, a maneira de ser também, mas uma coisa eu garanto: a minha almofada nunca foi vitima de maus tratos com uma eventual falta de sono. Boa, excelente profissional, mas... Mouth shut.

Custa. Magoa e corrói-me por dentro abdicar do que gosto, mas a sair, saio de cabeça erguida sabendo que sempre fiz de tudo para que tudo corresse da melhor forma possível exigindo o profissionalismo e a competência que, julgo, me é devida. Mas no fim, chego à conclusão mais importante delas todas - gosto mais de mim e não há nada no mundo que de mim me faça abdicar.

Portanto, sem forças e sem agruras, e para bem da minha saúde física e mental (já agora também como forma de evitar mais cabelos brancos que estão com demasiada tendência para aparecer e porque já não tou a achar piada nenhuma à coisa) atiro a toalha ao chão.
Desisto.

Caderneta... Em rádio!


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A fantástica equipa da manhã da rádio comercial lançou hoje, em versão on-line, a já tão famosa Caderneta de Cromos. A Cromo FM.

E posso dizer que... Vale a pena!
Começando nos jingles, passando pelas músicas típicas dos anos retratados na rubrica diária e acabando com os tão típicos anúncios e genéricos há muito esquecidos.

É simplesmente delicioso voltar a ouvir tudo aquilo, mesmo depois de já absorvidas as mais variadíssimas aventuras que são quase todas comuns às que eu passei (caricas nos carris, telefonemas anónimos com telefones de disco para os senhores Coelhos, malas à Sport Billy, fisgas e kispos a tapar figurinos de Carnaval, entre muitas, muitas outras).

Excelente trabalho este o de Pedro Ribeiro, Nuno Markl, Vanda Miranda e Vasco Palmeirim que se quer continue. A quem não ouviu ainda, que ouça. É do melhor que se tem feito no nosso país com base numa simples ideia.

Algo está mal...


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Alguma coisa de muito errada se passa ali para os lados do Terreiro do Paço...

Então primeiro um vem dizer que se os impostos são para todos e que não se baixam a ninguém,
Depois vem outro que sensibilizado diz ah e tal e afinal não porque os senhores dos campos do golfe ganham poucachinho e a eles sim, é de valor baixar.

Ora aí está.
Certo. Está certo.

Japão


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Na passada sexta feira, 11 de Março, o Japão foi alvo de um dos sismos com maior intensidade de que há registo. 9 na escala de Richter (o máximo é 10).

São imagens espantosas aquelas que nos entram em casa, da impressionante força da natureza que transforma, em segundos, o mais pesado dos barcos, o mais potente dos aviões em leves folhas de papel.
Para qualquer ocidental, é de estranhar a tremenda calma daquele povo naqueles segundos intermináveis em que a terra achou por bem abalar com tamanha força e em que a água se levantou imponente levando consigo tudo o que apanhou à frente. E é certo que o número das mortes vai aumentar, assim como é certo que aquele país se vai conseguir levantar em poucos anos.

Mas não posso deixar de pensar, que, se tal acontecesse num qualquer país que não está minimamente preparado, que não tenha um plano de emergência que se veja treinado, o nível de catástrofe seria bem maior, as vidas perdidas seriam em triplo, com certeza.

Sim. Estou a pensar no nosso país.
Deus nos livre que tal por cá aconteça.

Juizo perfeito


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Ora lá está!
Quem disser lá pelo seu mundo anormal que nunca lhe apeteceu fazer uma cena destas, das duas uma, ou mente ou tem um trabalho perfeito e pertence à parte do mundo normal!

Eu não minto e sim, a mim apetece-me fazer isto várias vezes, ou antes, muitas vezes porque já nem o respirar fundo, o contar até setecentos mil nem pensamentos felizes ajudam!...

Feriado?! Talvez não,,,


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Hoje foi um daqueles dias em que a única coisa que me apetecia fazer era, praguejar.

Foi um daqueles que diz que não é feriado mas que se eu quiser uma bica do café da esquina, não tenho, se eu quiser comprar um jornal, não há, se me apetecer apanhar um comboio que me é normal de viajar em, não posso.
Hoje diz que não foi feriado. Mas foi. Esteve tudo fechado, toda a gente em casa, não havia trânsito, aliás, o meu carro ficou hoje só e abandonado num parque de estacionamento para 300 viaturas.

Hoje foi um daqueles dias em que não me pagam a dobrar por estar a trabalhar com meia dúzia de gato pingados, ao contrário da grande maioria das pessoas do nosso país porque, lá está, não foi feriado.

E, porque mais importante, a única coisa que me apetecia ter feito era ter ficado em casa, no quentinho, no seco, sem fazer rigorosamente nada e a ver os filmes que já vi inúmeras vezes e que passam nas TVs em dias de feriados, embora hoje não tenha sido, de facto feriado...

E mesmo assim, consegui sair mais cedo do trabalho, porque miraculosamente, também o sistema informático foi gozar o dia que não é feriado, mas que todos consideram como tal.

O Carnaval, que se entenda, não é um feriado nacional, nem mundial, nem tão pouco deveria para um país inteiro da maneira como parou. Nos calendários aparece um E de Entrudo e não um F de feriado.

Chamem-me careta, mau feitio, o que se quiser, mas sou contra o facto de se gastarem milhares de euros em carros alegóricos exactamente iguais aos do ano passado (porque nem os protagonistas mudaram) que umas quantas centenas vão ver passar, sou contra o facto de se parar um país inteiro que tira milhares dos cofres só e só para que se possa andar por aí a atirar uns quantos balões de água a quem passa e a dizer que se divertem imenso, para que adultos andem a fazer figuras patetas de máscaras postas que não tiram o ano inteiro, assim como acho estúpido que se imite um samba que por cá não tem gostinho nenhum, se ouça e dance sempre a mesma música do outro lado do Atlântico onde estão mais de 30 graus à sombra.

Resumindo. Hoje não foi feriado, mas é como se fosse, tal e qual como tudo, ou quase tudo, neste país.

Outros festivais


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Todos aqueles que cresceram quando haviam apenas dois canais de televisão, e que por consequência não tinham muito por onde escolher, se lembram como o Festival da Canção da RTP era quase como que uma religião de se assistir. Todos tínhamos a curiosidade para saber se era daquela vez que a nossa cantiga ia ganhar, até começar a vê-la ir por ali abaixo na tabela de classificação.

Era emocionante ouvir: Portugal (com sotaque), twelve points e era revoltante ouvir júris não oferecer sequer um ponto quando achávamos que a aquela cantilena lusa era tão boa em comparação com as restantes.

Já hoje em dia ninguém se dá ao trabalho de ver meia dúzia de gatos pingados a cantarolar qualquer coisa ainda por cima quando todos sabemos que o do costume vai ganhar e que, regra geral, é aquele com mais cunhas, etc., etc.

Mas eis se não quando na corrida este ano, qual partida de Carnaval e para muitos, graçola de mau gosto, os Homens da Luta ganham o festival da canção e vão representar Portugal no estrangeiro, à Alemanha, se não estou em erro.
Pimba! Estalada na cara de muita gente, inclusive na do público que, desrespeitoso, assobiou, não aplaudiu, inclusive se levantou para abandonar a sala. O povo votou, o povo ganhou e naquele momento deixaram de haver motivos para perguntar, e o povo pá?!

E agora, anos passados, eu não vejo aquele festival e nem outros tantos do mesmo género. Não gosto, não acho piada. Mas o final deste, deu-me algum gozo de ver na net e, no final poder dizer quiri-quiri-quiri-qui!

Dá-lhe Falâncio pá!