Archive for outubro 2011
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Carta ao Estado, parte II
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Eu juro que tenho evitado ao máximo escrever por aqui sobre as crises que assolam o nosso país e, se Deus quiser, esta há-de ser a última vez que o faço.
Evito por vários motivos, mas principalmente porque ele há coisas que me ultrapassam o espírito e, muito honestamente, me tiram do sério.
São exemplos disso a inércia e a indiferença das pessoas quando os males só tocam os outros ou a modinha do se há quem refile porque é que eu me hei-de mexer e sequer refilar.
E isto, aborrece-me.
Chateia-me que muito do nosso povo não se mexa nem se importe com o facto de o governo, que uma maioria entre a minoria escolheu, tomar medidas extraordinariamente chocantes e as transmita com o discurso do coitadinho.
Chateia-me que a grande maioria das pessoas deste país tenha vivido 30 anos acima das suas possibilidades e que agora se lamente qual miúdo mimado a quem os pais de repente mandam trabalhar se quiser manter os vicios.
Portanto, posso-me dar ao luxo de dizer ao nosso caro Estado Português:
Que trabalho há já uns bons ou não, 17 anos, dos quais 3 a receber por baixo da mesa porque ao patrão não dava jeito que as finanças soubessem que eu por lá andava, e outros 14 a fazer os meus descontos a tempo e a horas, tanto para IRS como para a Segurança Social. Destes 14, nunca meti um dia de baixa e os dias de faltas por doença contam-se em duas mãos.
Que não gasto um tostão aos hospitais públicos, se preciso de um médico prefiro um privado que me trate e bem do que a uma maioria carniceira que não nos olha enquanto nos passa a sentença.
No entanto, despretenciosamente, ofereço do meu sangue sem receber nada em troca, àqueles centros hospitalares. Nem sequer faço usufruto das taxas moderadoras que até agora me eram oferecidas.
Que não tenho casa própria, vivo em casa da mãe. Sim, ando na casa dos 30 e não na minha. Mas se tivesse ido na conversa dos bancos talvez hoje tivesse um castelo hipotecado e quiçá constasse numa lista negra de um banco qualquer.
Que tenho um cartão de débito, uma conta ordenado e um cartão de crédito que junto fazem mais de três vezes o que ganho num mês. Os dois últimos só são usados em caso de emergência e, garanto, têm sido poucas as vezes.
Que pedi crédito ao banco, três vezes. Duas para carro, outra para obras. Sempre os paguei desse por onde desse. Nunca devi nada a ninguém.
Que o meu carro faz 10 anos para o ano que vem e o motor está como novo porque a gasolina ao preço que está, não dá para o esticanço nem para grandes viagens. O meu carro tem amolgadelas que algum descuidado lhe ofereceu e não, não tenho dinheiro para o por no bate chapas. Custou-me a pagá-lo, mas paguei-o sem nunca ficar a dever nada a ninguém.
E que enfim, na casa dos meus pais sempre se disse que quando não há dinheiro, não há vícios e nada a mais que não precisa de haver. Houve uma educação não só de poupança, mas de racionalização. Nunca viver acima das possibilidades.
E não deverias tu, o nosso estado, tu, as nossas câmaras municipais pensar da mesma forma?
Não acham vocês, estado português, bancos nacionais, que deveriam ter educado também, as inúmeras famílias deste país a ter pensado nisto um pouco mais cedo?
Se tudo correr bem, esta é a última vez que escrevo sobre este assunto.
A solo
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Para dançar o tango, são precisos dois. Duas pessoas que, mesmo não partilhando uma mesma paixão um pelo outro, têm de saber demonstrá-la, vivê-la naquele momento onde só aqueles passos compassados e certeiros importam, onde o olhar diz tudo, e nada mais.
Na vida, é o mesmo.
Muito embora tenhamos o poder de abrir as asas e voar, mesmo conseguindo dançar um solo, sem o olhar, sem a paixão, é raro conseguir-mos o que quer que seja.
Era verdadeiramente simpático que mais gente entendesse isso e deixasse de olhar tanto para o compasso do seu passo e admirasse mais o de quem tem a seu lado...
Category Acreditares, Ele há dias assim
Nunca mais...
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Hoje fiz o que há muito não fazia, ganhei coragem e fui ao médico. A um daqueles normais, sem especialidade nenhuma que não seja a clínica geral.
Hoje sentei-me por 30 minutos de espera numa daquelas salas que antecedem a câmara do senhor doutor e lembrei-me um dos motivos pelos quais me deixei destas visitas há já uns anos... Naquela sala dos horrores, numa correria desenfreada agitavam-se de forma frenética e descontrolada miúdos gritantes e trocavam-se as conversas de doenças alheias das velhotas frequentadoras habituais. E isto quando se acha que um dos ouvidos vai rebentar são uns dos motivos pelos quais me afastei daquela lide.
Palavra que estive rés-vés Campo de Ourique para me transformar num ser de outro mundo que corria todos a ferro e fogo sem dó nem piedade com um sabre de luz, mas lá uma voz me chamou para um refúgio e toda aquela agitação se tornou num pesadelo longínquo que espero não tornar a repetir tão cedo.
No fim, 25 minutos de consulta depois, e como que se uma dor de costas que vai e vem, uma dor de dentes persistente e valentes enxaquecas não me chegassem, tive de agradecer e dar o muito sincero obrigada aos deuses pela fantástica otite que descobri me ofereceram de mão beijada sem que nada lhes tivesse sido pedido.
Nunca mais torno a dizer que eu cá é raro estar doente.
Rai's partam a idade.
Category Resmunguices
Chuva de quê?!...
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A noite de hoje esperava-se grande, maravilhosa, e que proporcionasse um daqueles espectáculos celestes que, mesmo não sendo assim tão raros quanto isso, são sempre bem porreiros de ser ver. Ou seriam... Pois, não sei.
Para esta noite esperava-se uma noite de estrelas cadentes. Esperava-se... Pois... Não vi nem uma. Cena fixolas.
Já há uns anos valentes que me aventurei mais um grupo de amigos de encontro à mais espectacular chuva de meteoros que se esperava ver. Passámos um frio simpático num muito concorrido Cabo Espichel, foi uma noite fantástica e que jamais esquecerei, mas de de estrelas, também, quase que nem vê-las.
O que sei é que essas noites têm sido uma desilusão e que a dita maravilha tem ficado muito além do esperado e ate desejado.
Será que à terceira "chuvada"é de vez? Pois, não sei, mas se for para ser como estas duas últimas, alguém que me avise.
Category Resmunguices



