Archive for junho 2011

MC


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 O XIX Governo Constitucional de República Portuguesa tem onze ministérios e as cunhas, do costume, for the boys and two girls.
O XVIIII tinha dezasseis.

Não que o segundo tivesse sido melhor do que este que agora vai iniciar funções, nada disso. Venha o diabo e escolha.

No entanto, na composição dos ministérios não pude deixar de reparar que faltam lá uns quantos, mesmo que "absorvidos" por outros...

Porém, um deles, ficará única e exclusivamente a cargo do novo primeiro ministro...


Cultura. Berardos e Paulas Regos e Casas Serralves e mecenas deste país que nos salvem! Continuem a desenvolver umas cenas porreiras para o povo por favor!

Enquanto pessoa "meio que afastada das artes" que sou, mas amante, o facto de se ter extinto - como se de um incêndio se tratasse - o Ministério da Cultura é grave. Não é que fizesse muito enquanto existia, mas estava lá, sempre patrocinava umas quantas coisas de quando em vez, sempre existiam fundos para investir, mesmo que não fossem muitos porque até esses eram melhores que nada.

A Cultura deixará, a partir de agora, de ter qualquer papel na estratégia de desenvolvimento do país e é pena que não se entenda que a alternativa devia ser refundar esse Ministério assim como as políticas públicas de cultura que deixámos há  muito de ter no domínio do património, das artes, do livro, em parceria com as indústrias criativas.

Mas enfim.
Diz-se por aí que Um povo sem cultura é um povo sem identidade, sem auto-estima, sem orgulho de sua história.

A ver vamos...

E assim,...


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...num segundo apenas se consegue dar cabo de um sonho há muito esperado.

Obrigada, vida, por mais este murro no estômago. Se a intenção era atirar-me ao chão, então sai um clap clap bem forte para ti. Conseguiste.

Escolher


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Toda a gente deveria ter o poder de poder escolher o que pretende fazer da sua vida, sempre que está incapacitado e a vive da pior forma possível.
Toda a gente deveria ter o direito de escolher quando morrer e partir seja para onde seja.
Toda a gente deveria poder dizer, em consciência, que não quer mais viver uma vida que já não o é, num pedaço de carne e osso e sangue que não responde.

Porque quando uma pessoa passa a ser prisioneira do seu corpo, dependente na satisfação das suas necessidades mais básicas, quando o ser um "fardo" se eleva, impõe-se o pedir, ponderadamente, o direito a morrer, enfim, com dignidade.

Mesmo não sabendo o que é, como é, e o que sente quem pede e quem dá, eu sou a favor da eutanásia.

E por isto, considerando o último caso trazido pela BBC e há uns anos pela FOX, apenas posso não concordar, não criticando, que uma estação de televisão, uma família, partilhe com o mundo um momento que se quer seja intimo.

Polegarzinho


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Feriado.
É de tarde, calor que não chega a queimar, dentro de um transporte público a caminho de qualquer sitio.
Lugares vazios a rodo e eis que um alguém estranho decide ocupar o lugar a meu lado.
Penso, ora pois, claro que sim, ouço umas notas que me cantarolam ao ouvido, abstraio-me e fica tudo bem.

Além das conversas em tom mais elevado que se querem furtivas e que vivem na sua futilidade, pouco ou nada mais interessa, estou a chegar.

Até que sinto um estranho efeito na minha pernoca, tipo cócegas, comichão. Desvio o sentido. Não deve ser mais que que a alça da mala armada em atrevida como que ao som de um (pausa) Lets get it on de Marvin Gaye.
Hum. É quente. Olho. Um polegar que teima em tentar passear num sitio que não lhe pertence. Não é meu.
E... Zás!
Tive de lhe dar uma pantufada à valente.

Biutiful


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Biutiful é... Beautiful.

É a história de um homem enfim só, em conflito no caos em que vive e que se tenta reconciliar com um amor perdido enquanto a sua morte parece cada vez mais próxima.
É um retrato selvagem, cheio de crueldade da realidade urbana, de um mundo onde não existem anjos, onde não há inocentes.

De amor e espiritualidade, crime e culpa.
De um pai que ama os seus filhos acima de tudo.

Que se lixem os críticos de cinema, as quase duas horas e meia de filme que nem se notam, e o Óscar muito bem entregue a Javier Bardem, porque no fim,
Biutiful é... Beautiful.

Fantochada, Parte II


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Lá está.
O povo português é tramado. E previsível também.

Então, primeiro, ela há manifs e ah e tal e estamos todos insatisfeitos e estamos aflitos e à rasca e fazemos greves e merdas e depois, há eleições legislativas, e um tipo pode manifestar-se da melhor maneira que pode e tá quieto.

Mais de 40% de abstenção.

Depois, votam PSD e por cima, ainda lhe dão uma quase maioria absoluta.

Com tamanho desprendimento do tuga só posso depreender que doravante, todas as manifestações de insatisfação são, de facto, uma palhaçada muito pouco ou nada credível.

Reitero, então, o que escrevi há pouco,
Boa sorte a todos nós...

Fantochadas


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E pronto. Está feito.
Direito exercido.
Sim, votei e não vou referir se votei útil ou não para não ferir qualquer susceptibilidade de quem por aqui possa passar.

Verdade seja dita que, ao contrário das últimas legislativas, não estava ninguém. Não esperei ou desesperei como da outras vezes. O que não pode deixar de me surpreender, especialmente quando vivemos nos tempos em que vivemos, particularmente depois de um ano cheio de manifs, contestações e criações de gerações.

Está sol. Um calor abrasador. Diz que a esta hora, e é hora de almoço, já votaram 20% dos eleitores portugueses. Pergunto-me quantos mais irão... Não me parece que muitos mais, mas a ver vamos até onde vai a abstenção.

Não posso porém, de deixar de pensar que todos os candidatos pertencem à classe dos fantoches sem piada e que o povo português, que nestas alturas deveria demonstrar o seu descontentamento, gosta de bater palmas ao triste espectáculo que aqueles proporcionam.

Enfim. Já todos sabemos que a seguir a dois governos PS vêm dois PSD e assim consecutivamente. E eis que chega então a altura de um PSD que será com toda a certeza a mesma fantochada que o anterior de Sócrates, mantendo a insatisfação até agora denotada, subindo a crise para quem a mais sente, fazendo acusações aos anteriores.

Boa sorte a nós todos...

Autocarro 174


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Bem sei que já tem uns aninhos desde que foi lançado mas só agora o vi.

Recordo da semana que passei no Brasil muita coisa boa, porque a visão que um turista tem de um país estrangeiro é sempre, ou quase, boa, tudo, ou quase, é maravilhoso. Guardo o cheiro a mar, a música, o ambiente, as pessoas, a quentura da água límpida.

Mas lembro também a perseguição policial a que assisti parada no trânsito, guardo os putos de rua, as favelas ladeadas por muros, as estórias que me foram contadas por um nativo especial.

E assim, depois de ter travado conhecimento com alguma realidade brasileira, a leve com alguma visão de turista, verdade, Autocarro 174 é um filme poderoso com uma história de um miúdo à deriva como a de tantos outros garotos que alguém perdeu e que talvez nunca se encontrem.