Archive for julho 2012

Fim


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" Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!
Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro."

Tenho saudades, mas não sei escrever sobre elas,
Aperta-me o peito cá dentro,
As lágrimas continuam a cair.


Quem diz que se torna mais fácil com o tempo, mente.
Amo-te.
Sinto a tua falta, do teu cheiro, da tua presença, da tua voz que já não recordo, das tuas sábias palavras mesmo quando imperava o silêncio, do teu olhar.


Tenho saudades.

...


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Hoje deixo de lado as palavras janotas.
Ora mas que foda-se! Todos os anos é a mesma merda! Mas por que carga de água (que era bom que agora caísse por algumas zonas do país) é que as pessoas só se lembram de sacar dos sachos e das enxadas para limpar as ervas secas quando o fogo está prestes a bater-lhes à porta?!
Mais de metade da nossa, ainda, massa florestal está abandonada a quem dela quiser fazer uma lixeira a céu aberto e nada de se pedirem justificações a quem quer que seja. Não se sabe quem é o dono? Azar. O estado que enfie lá para dentro os subsidiários do rendimento mínimo, que atire lá para dentro os que estão nas prisões e que limpe e cuide daquilo que, afinal, é de todos e não de um apenas. O estado que faça uso das pessoas a quem paga comida, cama e roupa lavada. Que lhes dê um trabalho que é para isso que, também, lhes paga.
As nossas florestas estão um nojo, as nossas praias idém.
Se as pessoas deste país poderiam ser civilizadas e deixar o lixo no seu lugar?! Podiam. Mas não são e essa é que é a realidade. Apesar de campanhas de consciencialização, enquanto não houver uma educação de base, não vale a pena. Por mais que ensinem a uma criança na escola que o contentor verde é para o vidro, o azul para o papelão e o amarelo para plásticos e metal, e por trás virem os pais fazerem exactamente o contrário daquilo que lhes é passado, nada feito, é insucesso na certa.
Se as nossas leis podiam ter mão pesada para os filhos da puta que acham piada a imagens como a de cima? Podiam. Mas não são, e aqueles que acham porreiro andar a fazer queimadas não controladas e fazer umas faíscas no meio de  ervas secas longe do olhar alheio, continuam por aí a rir-se de quem perde uma vida inteira.
Resta-nos ficar impotentemente impressionados com o desespero que assola quem vive o inferno, desejar toda a sorte do mundo aos bombeiros que o estado maltrata e que enfrenta o cenário dantesco cheio de coragem.

A. C. M.


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Podia escrever por aqui como correu o meu dia de ontem ou da semana passada, ou das boas noticias que recebi ontem, ou como está vento na praia e me incomoda que as férias não estejam a ser perfeitas. 
Mas nada disso interessa.
O que me incomoda é que a vida seja injusta.
O que me chateia é que pessoas que amo e que guardo num sitio especial sofram.


Hoje tive uma má notícia. Chorei e sinto o coração apertado. E se para mim é difícil de aceitar, imagino para a ACM. Ou melhor, não imagino. Não sei o que é, como é, não vou mentir. Sei que a ACM é forte e que vai superar uma vez mais aquela doença sacana, aproveitadora, malvada e traiçoeira. Não só sei que sim, como tenho a certeza. E por saber, limpo a lágrima, acredito e rezo baixinho, tal como ela me pediu para fazer.
E no entretanto ACM, quando te apetecer praguejar, ir ao chão, gritar, espernear, pragueja, cai, grita e esperneia. Tens todo o direito a fazê-lo. E, quando rouca, de perna frouxa, cansada, precisares de ajuda para te levantares, eu estarei aqui.
Como te disse, adoro-te muito vezes infinitos...