Archive for dezembro 2012

A nós


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Não é meia noite ainda.
Os tambores rufam lá fora a par de alguns foguetes que insistem em ser lançados em noite chuvosa fazendo ritmo com alguma música irritante que canta ao som da chuva.
O J., prostrado com a tua falta.
A tua P. deixou-me agora chorosa com uma mensagem simples que me enviou.
A mãe lá está. A tentar.
E eu aqui. A tentar ser forte todos os dias e lidar com o não estares. A lembrar a falta que me fazes, a tua preocupação de há um ano em querer passar o ano connosco e não conseguiste chegar a tempo. Mas ligaste, como ligavas sempre. E do outro lado a tua voz sempre alegre e feliz que hoje não se ouve no telefone cá de casa.

Lembro-me do que me abraçaste na primeira passagem que fizemos sem o Pai. Em Cacilhas, para ser diferente e por insistência tua, juntos os três assistimos ao fogo de artificio manhoso de Lisboa. E abraçá-mo-nos no final como se aquele fosse o nosso primeiro e último momento.

Não sou de ligar a passagens de ano desde que a avó se foi embora. Não sou de achar que por se mudar um dia no calendário a vida muda também, porque essa, não precisa de datas, nem de festas nem de fogos coloridos. Às vezes, a vontade basta. A vontade de mudar, de querer ser diferente, de querer aprender com os próprios erros e dos outros. De fazer do país, do mundo, um sitio diferente. 

Não sou de ligar a passagens de ano, deixam-me triste. Às zero horas, recordo-vos a todos que partiram e as saudades que tenho e tento, juro que tento, celebrar quem cá está.

Não sou de ligar a passagens de ano, porque a seguir ao dia 31 de Dezembro vem o primeiro de Janeiro, como a seguir ao 31 de Março vem o primeiro de Abril. 
Porque qualquer dia é um bom dia para se mudar o mundo. O país. A vida. Desde que se acredite que se é capaz, que se tem a força. Desde que se mantenha a esperança e se lute para manter a luz acesa.

Não sou de ligar a passagens de ano, mas, peço-vos, estejam onde estiverem, cerquem-nos com a vossa luz, tragam-nos paz e brindem connosco.

Esperança. Há sempre esperança.


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Esperança. Para Janeiro, Fevereiro, Março, Abril e por ai adiante. 
Esperança para todas as semanas e dias e minutos e segundos do ano, dos anos, da vida.
Esperança que o dia de amanhã seja melhor que o dia de hoje, que tenha mais cor, mais alegria, mais vida.

Esperança que a vida supere a morte, que o escuro se deixe dominar pela luz, que o bem vença o mal.
Esperança que, por esta altura, cá estejamos todos, com saúde, vivos e cada vez mais perto uns dos outros.

Às zero horas de amanhã, sem desejos ou notas de alto valor na mão e sem pé esquerdo no ar em cima de uma cadeira. Sem superstições.
Esperança na vida. No amanhã. Ter perto de mim quem amo. Não perder ninguém no curso da vida. 
Luz e quem amo. É o que quero para todos os dias do ano que começa daqui a pouco. Para toda a minha vida.

Inacreditável


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Há coisas que não têm explicação nenhuma e que nem sequer merecem qualquer outro tipo de comentário.
Apenas uma coisa. Se têm filhos, abracem-nos com força, amem-nos antes que seja tarde.