Archive for agosto 2010

As nossas notícias


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Há dias em me aborrece solenemente ligar a televisão à hora de um qualquer telejornal.

Porquê? Porque num mundo anormal como é o nosso há sempre coisas estranhas e reais a acontecer que, digo eu, merecem algum destaque. Mas não devem ser recalcadas ou perdem o seu intuito. Deixam de ser notícia.

O problema dos trinta e três mineiros encurralados num espaço ínfimo a 700 m de profundidade numa mina do Chile e o seu resgate. Foi notícia igual atrás de notícia igual por três ou quatro dias de seguida. Talvez mais, deixei de ver.
Tal é que o caso da Sra. Rosalina e do Sr. Tomé Feteira deixou de ser uma história de amor difícil, como quase todas, passou a ser uma história de ganância e arrogância. Deixou de ter alguma coisa a ver com o seu homicídio e o assassino e passou a ter tudo a ver com a herança que o Sr. Feteira deixou e pela qual tantos anos trabalhou. Passou a ser um caso de revista cor de rosa em que se discute uma herança com alguém que já morreu.

Temos a sentença da Casa Pia que tantos adiamentos já teve que só a comunicação social para criar notícia ainda acredita que é desta.

O caso Queirós. Outra novela. E só porque alguém certamente não gostou de ouvir algumas verdades.
A crise, os lucros dos bancos, o número de desempregados que sobe, a prestação da casa que se mantém na mesma mas! que ameaça subir, as obras do governo e as crises de identidade deste e da sua alegada oposição.
Irra! Neste país fazem-se notícias, criam-se casos, por tudo e por nada!

Debaixo do colchão


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Num mundo normal, não é necessário

pedirmos a outros para guardar o nosso dinheiro, aquele que tão áruduamente trabalhamos um mês inteiro para ver, que mais não seja virtualmente em papés sacados em caixas ATM.
Já no nosso mundo, é normal. Ter conta bancária é normal. Ter empréstimos bancários para isto e para aquilo e para aqueloutro, é normal. Pagar taxas por tudo e mais qualquer coisa, é normal.
Ora ou eu sou muito anormal, ou não. Não acho normal.
Não acho normal, chegar a casa depois de mais um dia de labuta diária e deparar-me com uma carta do Millennium BCP (que quando escreve nunca é coisa boa ou está oferecer dinheiro por dinheiro por mais dinheiro).
Estas duas folhas, que começam sempre com um estimada cliente (Pois... Se fosse comigo a pedir dinheiro e ah e tal toma lá chega-te à frente! também estimava muita gente), informam-me que o meu cartão de débito está com a validade a chegar ao fim. Até aqui nada de novo, isso eu já sabia. Eis se não quando!, como se fosse uma promoção dos diabos e uma cena muita porreira, que me informam assim como quem não quer a coisa que o meu cartão vai passar a ser um Maestro. Maestro de quê, pergunto-me?! Vai apontar a batuta e ensinar-me o caminho para poupar mais? É o poupas! Nada disso. A batuta servirá apenas para me fazer gastar uns tais de €7 em anuidades, coisa que nunca paguei diga-se de antemão, caso não faça mais de 20 compras com ele, por mês.
Ora eu nem sou pessoa de fazer um uso à maluca do meu cartão, muito menos do meu dinheiro. Sei o que me custa a ganhar. Mas agora querem-me tirar €7 ao ano se eu não der uso ao meu dinheiro?!? Repito: MEU dinheiro.
Infelizmente, o banco atrás referido, consta em todos os jornais económicos, passa por algumas dificuldades económicas. Se não vejamos: o resultado liquido ficou ligeiramente aquém das expectativas dos analistas ficando-se apenas pelos 166,5 milhões e meio de Euros. (coisa poucachinha); o produto bancário subiu 12,6% para quase 1,5 mil milhões de Euros e a margem finaceira outros tantos milhões subiu.
Ora fod@c! Que raio!!
O melhor mesmo é fazer como há uns anos.
Nada melhor que guardar o dinheiro, que é nosso, debaixo do colchão. Fica a cama talvez mais fofinha e essa ao menos não me cobra taxas de MB, taxas de cheques, taxas de utilização de ATMs, taxas de bom cliente, e mais taxas.

Simplesmente, Sherlock.


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É sempre bom revisitar o 221B da Baker Street.

Primeiro com Jeremy Brett, numa Baker St. empoeirada e suja, transmitida durante a minha infância em noites de serão em que mais nada havia para fazer. Quase que dava para se sentir o cheiro daquele cachimbo (o que seria, vá, mauzinho considerando o que era fumado).

Hoje temos um Sherlok Holmes e um Dr. Watson geniais que quase estiveram para ser cancelados. E isto só prova uma coisa. Mais de sete milhões de pessoas em todo o Reino Unido, provaram que aquele(s) executivo(s) que está(ão) à frente da direcção de programas da BBC não sabem sempre o que por lá estarão a fazer...
Não que os anteriores não fossem brilhantes, fomos aliás bem brindados com uma versão que apreciei bastante de um Guy Ritchie endiabrado, digamos.
Mas este Sherlock é diferente.
É um puto novo, vive no século XXI, tem a ajuda de telefones móveis e computadores, tem inclusivé uma página na net. O Dr. Watson permanece ali, vindo agora de uma guerra no Afeganistão. Mas o seu humor peculiar, o seu sarcasmo, a sua science of deduction continuam lá mais apurados que nunca, os diálogos entre personagens são fenomenais.
Por ora temos três episódios que aconselho vivamente a quem se interessar.
E por mais, é de esperar ansiosamente.

Às vezes custa acreditar, mas compensa!


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Vou ser honesta.
Não acreditei nada por alí além na vitória de hoje do Sporting frente ao Brondby da Dinamarca.
Porque num mundo normal, não é preciso sofrer até aos minutos de compensação para se saber se a nossa equipa do coração é ou não apurada para uma fase de grupos.
Num mundo normal, quando se tem uma boa equipa, tem-se, joga-se e ganha-se. Há empenho quando se está a perder e não apenas quando se marca. Não se sofre até ao fim. Mas o futebol, diz, é mesmo assim.
Fomos passivos, deixámos atacar, nem sempre soubemos defender.
A minha equipa foi mais equipa no final quando marca o segundo golo, vê que afinal ainda há hipóteses e que no fim das contas aquela quase desconhecida equipa dinamarquesa não é e não pode ser mais equipa. Quem é do Sporting sabe que o sofrer a bem sofrer é já uma característica de jogos importantes.
Se temos uma equipa fantástica? Não.
Se temos hipóteses de chegar longe? Talvez.
Soube bem ouvir as goelas de todos os verdes aqui da zona gritar a bom gritar GOOOOOOOOLOOOOOOOOO por três vezes!
Custou, enfim, acreditar. Mas no fim, obrigada Sporting pela alegria e pela emoção!

To blog or not to blog


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Quem disse que isto de ter um blog era uma cena gira e tal e fácil e cenas, enganou-me.
Só o escolher um template é um filme. Cinquenta mil à escolha.
Depois é esperar que um dia mais tarde esse parvo desse template que encontrámos depois de vistos quase quarenta e nove mil, lhe apeteça não dar uns erros maléficos e desinstalar-se sózinho sem a ajuda de nnguém.
Se lhe der para aí, ora toca de encontrar um outro template que não dê erros patetas de htmls, feeds e cenas atrofiadas das quais, diga-se, não pesco um boi.

Ora pois que a mim, que o meu template há uns tempos que andava a dar os tais erros patetas. A imagem que tanto trabalho me deu a escolher, que tanto tempo de escrita me roubou, pifou. Escavacou-se. Apagou-se. Se teve ajuda? Pois... Talvez... É o que dá ter uma blogger meio croma nestas cenas.
Mas vá, quarenta e nove mil e quinhentos templates mais tarde, lá encontrei este. Não é do meu total agrado, é certo, mas vá. Serve o propósito. Para já.
E para já sinto-me qual Shakespeare a olhar como um burro para um palácio.

E espero conseguir continuar com este template durante uns tempos! :o)

Quanto custa um sorriso?


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Quanto custa um sorriso questionei-me logo pela manha.
Ora que, num mundo normal, um sorriso não custa nada. É à borla, oferecido, dado.
Ora que, num mundo anormal como o nosso, um sorriso deve ser extremamente caro, caríssimo aliás, deve ser o mais precisoso dos bens que não sai de casa, já que raras são as vezes que se vê alguém com um bem visível.

Logo pela manhã ia sendo albarroada por três vezes, uma outra passada a ferro por uma viatura pouco maior que eu (era um smart e de esperta a sua consutora não tinha nada), e, eis senão quando chegada à estação do comboio o passe, que é novo, não passa. Lá vou ter com o segurança. Sai-me um Bom dia!, naturalmente com o tal sorriso. Nada de volta. Nem uma expressãozinha de simpatia. Lá me deixa passar. Tudo bem. O dia há-de ser melhor, dias infelizes todos temos. Quando peço um café, mesmo assim, com um sorriso na face, tenho uma bica atirada à valente para cima do balcão. Ora mas que raio! Está bem que é segunda feira de manhã, está bem que ninguém trabalha por gosto, mas que diabo!, que culpa é que eu tenho?!

Este boneco devia estar estampado em todos os locais públicos, autocarros, táxis, estações de metro, museus e afins. Em todos os lugares onde fosse prestado um serviço público e, em nossas casas. Para nos lembrarmos que sorrir, rir, faz bem à saúde e ao próximo.
E mais, não se paga nada.
Um sorriso não custa, nem dar nem receber.

Portugal, Verão 2010


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É simplesmente extraordinário.

O trabalho dos chamados soldados da Paz com os incêndios que se teimam em atear todos os anos é, de facto, extraordimário e deve ser louvado.

Dão a vida, literalmente, o seu suor, as suas horas de descanso, as suas lágrimas para defender um dos bens mais preciosos que este país tem e que muito pouca gente se preocupa em preservar.

Diz-se hoje que 97% dos incêndios activos em Portugal (desde Janeiro que já arderam mais de 19 mil HA, 10 mil só em Agosto) têm mão criminosa. E acredite-se que criminoso é tanto aquele que acende o fósforo como aquele que deixa a garrafa de plástico ou o vidrinho "inofensivo" no meio da floresta depois daquele piquenique que foi tão aprazível - Pois para o ano o spot escolhido terá de ser outro...

É triste saber que ardem carros de combate ao fogo.
É de lamentar que hoje tenha morrido um Bombeiro Voluntário de Alcobaça que só foi a S. Pedro do Sul para ajudar. Repito: Era voluntário. De Alcobaça. Tinha 20 anos.

Para uma próxima vez que atirarmos com uma beata janela fora,
Para uma próxima vez que nos esqueçamos de pegar no lixo depois de um lanche bem passado,
Para uma próxima vez que numa festa vejamos foguetes serem atirados,
Lembremo-nos da quantidade brutal de floresta ardida.
Lembremo-nos do soldado que era da paz.

É o mundo que temos...


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Não há explicação possível.

Num Mundo normal isto não acontece.

Num mundo anormal, tal também não poderia acontecer. Mas aconteceu... Nos arredores de Paris com um grupo de imigrantes que foram desalojados.

Certamente que tais actos de ignorância, estupidez à quadragésima sétima potência, são cometidos em todo lado, mas de vez em quando há um ou outro que chega à comunicação social e que entra pelas nossas casas a dentro.

Não pude deixar de me sentir enojada por fazer parte da raça humana. Não pude deixar de sentir asco por aqueles intitulados agentes da autoridade que se acham tão homens, tão senhores, que são capazes de arrancar dos braços de uma mãe o seu filho, que são capazes de arrastar pelo asfalto uma mãe que carrega o seu filho nas costas (diga-se que o infante estava por debaixo dela).

Sabemos que existem tantos outros actos de horrenda realidade que nos assombram de cada vez que ouvimos falar deles e muitas vezes até por saber sequer da sua existência, como as meninas mortas à nascença na China e/ou abandonadas à sua sorte e até à morte, como mulheres que são violadas e mortas à pedrada no Islão, etc., etc., como os prisioneiros de guerra abusados por puro gozo, ou crianças usadas e abusadas e largadas à sua sorte muitas vezes antes de completarem horas de vida.

Tudo isto nos choca, tudo isto nos repugna. Mas enquanto não nos bate à porta, lá vai estando tudo certo, tudo ok, e daí não vem mal ao mundo...
É o mundo que temos, é o que fazemos do nosso mundo...