Archive for 2012
A nós
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Os tambores rufam lá fora a par de alguns foguetes que insistem em ser lançados em noite chuvosa fazendo ritmo com alguma música irritante que canta ao som da chuva.
O J., prostrado com a tua falta.
A tua P. deixou-me agora chorosa com uma mensagem simples que me enviou.
A mãe lá está. A tentar.
E eu aqui. A tentar ser forte todos os dias e lidar com o não estares. A lembrar a falta que me fazes, a tua preocupação de há um ano em querer passar o ano connosco e não conseguiste chegar a tempo. Mas ligaste, como ligavas sempre. E do outro lado a tua voz sempre alegre e feliz que hoje não se ouve no telefone cá de casa.
Lembro-me do que me abraçaste na primeira passagem que fizemos sem o Pai. Em Cacilhas, para ser diferente e por insistência tua, juntos os três assistimos ao fogo de artificio manhoso de Lisboa. E abraçá-mo-nos no final como se aquele fosse o nosso primeiro e último momento.
Não sou de ligar a passagens de ano desde que a avó se foi embora. Não sou de achar que por se mudar um dia no calendário a vida muda também, porque essa, não precisa de datas, nem de festas nem de fogos coloridos. Às vezes, a vontade basta. A vontade de mudar, de querer ser diferente, de querer aprender com os próprios erros e dos outros. De fazer do país, do mundo, um sitio diferente.
Não sou de ligar a passagens de ano, deixam-me triste. Às zero horas, recordo-vos a todos que partiram e as saudades que tenho e tento, juro que tento, celebrar quem cá está.
Não sou de ligar a passagens de ano, porque a seguir ao dia 31 de Dezembro vem o primeiro de Janeiro, como a seguir ao 31 de Março vem o primeiro de Abril.
Porque qualquer dia é um bom dia para se mudar o mundo. O país. A vida. Desde que se acredite que se é capaz, que se tem a força. Desde que se mantenha a esperança e se lute para manter a luz acesa.
Não sou de ligar a passagens de ano, mas, peço-vos, estejam onde estiverem, cerquem-nos com a vossa luz, tragam-nos paz e brindem connosco.
Esperança. Há sempre esperança.
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Esperança para todas as semanas e dias e minutos e segundos do ano, dos anos, da vida.
Esperança que o dia de amanhã seja melhor que o dia de hoje, que tenha mais cor, mais alegria, mais vida.
Esperança que a vida supere a morte, que o escuro se deixe dominar pela luz, que o bem vença o mal.
Esperança que, por esta altura, cá estejamos todos, com saúde, vivos e cada vez mais perto uns dos outros.
Às zero horas de amanhã, sem desejos ou notas de alto valor na mão e sem pé esquerdo no ar em cima de uma cadeira. Sem superstições.
Esperança na vida. No amanhã. Ter perto de mim quem amo. Não perder ninguém no curso da vida.
Luz e quem amo. É o que quero para todos os dias do ano que começa daqui a pouco. Para toda a minha vida.
Inacreditável
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Há coisas que não têm explicação nenhuma e que nem sequer merecem qualquer outro tipo de comentário.
Apenas uma coisa. Se têm filhos, abracem-nos com força, amem-nos antes que seja tarde.
Já te disse?...
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Um mês e um dia.
Um mês e um dia e 6 horas.
Ainda conto.
Ainda conto os dias. Ainda dói. Ainda conto contigo. Ainda sinto a tua falta. Ainda acho que estás aqui ao lado em silêncio. Ainda me parece ouvir-te. Ainda te vejo. Ainda te sinto. Anda te falo. Ainda choro. Ainda é difícil. Ainda dói.
Só não sonho contigo a dormir e não passa um dia ainda em que não pense em ti. Será que algum dia isso vai acontecer?...
Talvez seja a altura em que tenho de te deixar ir à tua vida - vamos ficar bem. Vou ficar bem. Tenho de me convencer.
Convencer-me que vou ficar bem vou ficar bem vou ficar bem. Será que se o disser vezes suficientes passo a acreditar?
Sim, eu vou ficar bem vou ficar bem vou ficar bem vou! Vou a todo o lado e estás lá, bem presente, talvez como nunca tenhas estado antes...
Já te disse que tenho saudades tuas? Que já é hora de voltares? Que te quero aqui? Já to disse? Que sinto a tua falta? Que não te consigo tirar daqui de dentro? Já te disse que te adoro? Já te disse que te quero? Já te disse que não queria que morresses? Já te disse que te amo? Já te disse que a tua falta me mata e me corrói e me destrói a cada dia que passa? Já te disse que estou cansada e farta de chorar e de sentir o vazio? Já te disse que quero gritar de raiva por te teres ido embora assim? Já te disse que me arrependo? Já te disse que queria ser velhinha ao teu lado? Já te disse que te invejo? Já te disse que gostava de ser a do meio? Já te disse que não quero ser mais velha que tu? Já te disse que queria ser feliz contigo? Já te disse que te amo?
Já te disse...?
Já te disse que tenho de acreditar que tudo vai ficar bem quando ainda não acredito que seja capaz de acreditar nisso?
Porque ainda conto os dias, as semanas, as horas de todos os minutos que não estás aqui.
Volta... Dá-me um sorriso. Uma música. Um grito, discute comigo qualquer coisa... Qualquer coisa... Volta...
Sim, eu vou ficar bem. Eu hei-de ficar bem...
Villa Algarve, Moçambique
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" Também nós portugueses, possuímos na nossa História de tortura e medo, uma Vila... no Chile de Pinochet era a Vila Grimaldi e no Portugal Colonialista de Salazar e Caetano era a Vila Algarve em Lourenço Marques, Moçambique.
E é necessário não esquecer.
A responsabilidade para com os nossos contemporâneos e as gerações vindouras força-nos a recorrer à memória, à materialização do passado. A memória condiciona os nossos actos presentes constituindo aprendizagem e experiência, assegurando assim a continuidade de um povo enquanto comunidade social e política.
Em Portugal, tal como no Chile, tem sido feito, muito lenta e subtilmente o branqueamento ou o olvido de momentos importantes da nossa história. E no entanto os povos necessitam recordar e conhecer os erros cometidos para que não se repitam.
Talvez outros "altos valores" se levantem para que se justifique o olvido, talvez as ideologias tenham morrido —, e a moral também.
Mas a PIDE existiu e torturou e seviciou e matou.
No dia 18 de Dezembro de 1961, tinha então 19 anos, fui preso pela PIDE e conheci então a Vila Algarve. No rés-do-chão muitas secretárias e agentes escrevendo à máquina e, num canto escondido, um pequeno compartimento com 11 ladrilhos de um lado e 18 de outro, e uma janela pequena que dava para um jardim, para as vivendas vizinhas na Av. Fernandes Tomaz. E não creio que os vizinhos da Vivenda Algarve não ouvissem os gritos de dor contida (porque cada grito era uma vitória da PIDE).
Aí comecei a conhecer a tortura da estátua sem dormir. Conheci a pancadaria, as toalhas encharcadas e enroladas, chicoteando-me. Os insultos à família, aos amigos, e a mim próprio, dos quais o menor não foi o de traidor à Pátria, anti-português, etc. Os calcanhares rebentaram pelo inchaço dos pés devido à acumulação de sangue por estar de pé. Mas também me deixavam sentar para comer. E também para me mimosearem com gotas de água quente e fria alternadamente na cabeça. Porque durante esses dias chegou ao conhecimento dos PIDES a confirmação da queda da GOA, a Índia Portuguesa, imaginem, o seu furor redobrou de intensidade.
Talvez porque quisessem passar um Natal em paz com as suas consciências, interromperam este período de interrogatório em 24 de Dezembro, véspera de Natal. Enviaram-me para uma cadeia da qual não recordo o nome (sei apenas que ficava próxima do Bairro Sommerchild).
Recordo: a Maria João Seixas que recentemente algures numa entrevista disse que não era uma mulher de coragem foi a primeira pessoa que me procurou na cadeia e enfrentou os guardas prisionais para que me entregassem 1 bolo (era dia de Natal) e algumas revistas. Mais tarde, observei no exterior da cadeia quem me procurava: o Fernando Carneiro (ex-jornalista de "A Capital", creio que agora funcionário do ICEP) e o Jorge Pais (já falecido); e o Sebastião "Cozinheiro", o Afonso Muxira, o Salomão Manjate e tantos outros, até que o privilégio de ter uma cela com vista para a rua me foi cortado por vias de novo interrogatório ou "visita" à Vila Algarve.
No dia 1 de Janeiro de 1962 recomeçaram as sevícias. Foram mais oito dias de tortura. Sem dormir. Com alucinações. Paredes que opavam. Que surgiam longínquas. Plenas de insectos. E pancada. Insultos. Traidor à Pátria. Simulacros de morte com uma pistola cujo percutir batia em seco. Pés inchados. Testículos quadruplicados de volume devido aos pontapés que me davam por detrás quando me encontravam no chão, enroscado sobre mim mesmo, na posição fetal. Durou oito dias este tormento.
Ainda em Janeiro, mas no fim do mês — não recordo a data — voltei a visitar a Vila Algarve. E tudo se repetiu. Mais oito dias. Cair no chão por sono, era punido com mais pancada. Encostar-me à parede, por cansaço, sono ou inconsciência, era punido com mais pancada. Cenas que se repetiam. O corpo já não me doía. Deixei de ouvir do ouvido esquerdo. Finalmente desistiram.
E que pretendia a PIDE obter com os seus interrogatórios?
Quem tinha sovado um informador (negro) deles no dia 16 de Dezembro. Fui eu, o Fevereiro e o Rui Nogar.
Quem me tinha escrito um discurso que pronunciei na Associação Africana em Novembro de 1961 em que advoguei a independência de Moçambique? Insistiam que tinha sido o José Craveirinha quando na realidade ninguém o escreveu... foi espontâneo.
Quem tinha escrito e divulgado vários panfletos na zona do porto de L.M. e na cidade de Carriço? Fui eu, Nogar, Jorge Pais, Fernando Cordeiro, Craveirinha.
Quem tinha "pinchado" o exterior e o interior do Liceu Salazar com palavras de ordem sobre a independência? Quem pertencia ao MODEMO (Movimento Democrático de Moçambique)? Qual a influência do Partido Comunista Português no Modemo? Que relações tinha eu com o MODEMO, o PCP e o COREMO (Comité Revolucionário de Moçambique)? Ainda não sei como me relacionaram com o COREMO pois éramos apenas 10 pessoas. Tínhamos assaltado (não matámos; apenas uma surra) duas patrulhas da PSP e roubado duas pistolas. E espalhado (poucos) panfletos em língua ronga na cidade de Carriço, que passei no copiógrafo do Cine-Clube de Lourenço Marques, do qual era sócio e colaborador com chave, o que me permitia acesso à noite.
Queriam saber as actividades políticas ou influências do MODEMO no Núcleo de Arte (de que era sócio) e no Cine Clube. Queriam saber quem me abrira as portas do jornal "A Voz de Moçambique" para que eu pudesse lá escrever. Queriam saber quem coordenava numa página no jornal "Notícias" escrita pela juventude denominada "O Despertar", sub-titulada "O Despertar da Juventude de Moçambique". Queriam saber, enfim, quais os meus contactos com o PCP e a Juventude Comunista quando ainda estava em Portugal.
Historiando um pouco, direi que o COREMO foi fundado por mim, pelo Cozinheiro Sebastião, por dois ex meus serventes, o Muvira e o Manjabe, ao qual se juntou depois um outro negro que trabalhava na Rádio Naval, natural de Manjacaze e que adoptou como pseudónimo. Tudo começou quando o meu patrão chamou preto ao cozinheiro Sebastião e ele respondeu: "Não me chame isso porque preto é carvão e carvão é uma coisa; eu não sou uma coisa, sou negro". Depois disso conversámos mais e avançámos. Depois da minha expulsão pouco mais sei. Que cresceu. Que se refugiou na então chamada Rodésia, hoje Zimbabwé. Não sei se conservou o núcleo original. Sei que mais tarde integrou a FRELIMO assim como outros movimentos; a FRELIMO era um aglutinador de vários partidos daí se chamar Frente de Libertação de Moçambique. Devido, porém, à demasiada sujeição da FRELIMO aos interesses soviéticos, a COREMO abandonou a frente; foi considerada traidora pela Frente mas a COREMO abriu uma nova zona de combate às tropas portuguesas na região de Tete enquanto a FRELIMO estava restrita ao Norte, província de Cabo Delgado. Quando estava na Bélgica em 1967, soube da morada deles, escrevi colocando-me ao dispor deles para o que fosse necessário, inclusive combater ou mesmo ser instrutor militar. Responderam-me com muita consideração mas objectavam que outros que não a direcção veriam mal um branco a combater ao lado deles, e que instrutores tinham chineses que eram suficientes. Mas que lhes podia ser útil na Europa para prestar apoio diplomático (de que estavam muito carenciados porque era enorme o peso da FRELIMO) e logístico (para auxiliar qualquer dirigente ou estudante de passagem pela Europa). Respondi imediatamente (duas vezes até) pedindo credenciais e notícias sobre o núcleo inicial e fiquei sem resposta. Hoje, ao que me consta, o COREMO não, ou pelo menos não concorreu às eleições que houve entretanto em Moçambique.
Finalmente recebi a visita de meus familiares. Não podia explicar-lhes a razão das crostas de feridas que tinha no rosto. Minha mãe, que em Novembro me tinha negado autorização para fumar, levou-me cigarros. Enquanto tive sinais de violência no corpo permaneci numa cela sozinho. Era grande a cela (4x4). Sabia que o Virgílio de Lemos estava também solitário na cela mas esta mais pequena (creio que 2x4). O Dr. Agostinho Ilunga, que a polícia sul-africana prendeu em Durban a mando da PIDE, estava também solitário.
Depois (Fevereiro/Março de 1962), chegou uma grande vaga de prisioneiros naturais da região de Mocímboa da Praia, Palma, Montepuez, Ibo. Para resumir: de toda a região da etnia "muârm". Foram presos porque se juntaram na praia, a "coberto" de uma cerimónia religiosa maometana para festejarem a independência do então chamado Tanganica (creio que a 7 ou 9 de Dezembro de 1961). E, na prisão, se dormíamos quatro em cada cela de 4x4 metros, passámos a dormir 16, sem camas, no chão, sobre esteiras.
Com 16 pessoas na mesma cela era raro o dia em que um de nós não fizesse uma viagem até à Vila Algarve. O horror era o regresso quando víamos o estado físico e mental em que eles regressavam.
Ainda voltei mais vezes à Vila Algarve. Primeiro, para me obrigarem a assinar três depoimentos que eu teria feito durante os interrogatórios: ligavam-me ao José Craveirinha que me teria dado o discurso que espontaneamente pronunciara na Associação Africana; ligavam-me ao P.C.P. porque receberia ordens de Wagner Russel, ex-membro do Comité Central do P.C. então residente em Lourenço Marques, para imprimir certas directivas nas associações a que estava ligado ("Cine-Clube" e "Núcleo de Arte") e na página literária publicada no "Notícias", o "Despertar"; ligavam-me também ao Dr. Almeida Santos (Oposição Democrática) por vias de uma entrevista que lhe fiz a propósito das eleições de Novembro de 1961 e da abolição do Estatuto do Indigenato que terá sido ou não publicada no jornal "República".
Recusei assinar qualquer um dos depoimentos. E houveram mais socos e pontapés. Mantive-me firme. Visitei outra vez a Vila Algarve para me encontrar com o meu advogado Drº Carlos Adrião Rodrigues. Era uma sala plena de sofás. Acolhedora. Repousante. Mas pouco ou nada falei com ele com receio de que estivessem à escuta. Ele é que pagou as despesas da conversação. Em resumo, disse-me que devido ao facto de estar preso há mais de 180 dias iria fazer um "habeas corpus"; que era a única coisa possível.
Dias depois, nova visita à Vila Algarve. Agora ao 1º andar. Que luxo. Tapetes. Porcelanas. Que luxo. Fui informado com toda a delicadeza que o Sr. Sub-Director queria falar comigo. Mandaram-me enterrar num sofá. Esperei um pouco. Entrei num gabinete amplo, atapetado e muitas janelas. Aperto de mão que me foi difícil recusar e difícil aceitar — estava estupefacto.
E então, com palavras melodiosas, cativantes, surgiu o convite para que eu aceitasse integrar o quadro de informadores da PIDE.
Que me pagariam bem. O dobro do meu salário.
Que me arranjariam uma história plausível para apresentar aos meus amigos.
Que mais ninguém, na PIDE, teria conhecimento que eu era informador.
Que me arranjaria um pseudónimo.
Que só assinaria os recibos do meu trabalho com o meu pseudónimo.
Que só me encontraria com ele.
Que... Que...
Enfim, todas as garantias de que poderia trair os meus amigos, e trair-me a mim próprio com a maior segurança.
Quando o primeiro enunciado da conversa foi feito, respondi logo que não... "mas espere, deixe-me acabar".
— "Porque se não aceitar esta proposta irá ser expulso de Moçambique e será entregue em Lisboa ao Tribunal de Aplicação de Penas onde é condenado pelo menos a 3 anos."
— "Abandonará a sua família. Não gosta da sua família? Sei que gosta bastante da sua irmã."
Enfim. Como os factores pecuniários e da segurança não funcionaram, o Sr. Sub-Director dedicou-se à mais reles e baixa chantagem emocional e afectiva.
Mantive a recusa e o "homenzinho" verdadeiramente agastado reenviou-me para a prisão para eu pensar e que só me dava 8 dias. Na prisão fiquei 1 semana na solitária: "talvez para pensar melhor", sem a presença dos outros presos.
Inevitável. Mais uma visita à Vila Algarve. Na mesma sala atapetada do andar superior mas não tive direito ao aperto de mão nem convite para me sentar.
— "A minha posição continua a mesma. A resposta é não."
Talvez não tenha sequer pronunciado a palavra não. As bofetadas impediram-me. Socos. Pontapés. Os tapetes amorteceram-me a queda. O Sr. Sub-Director não delegava noutros a tarefa de me bater. O Sr. Sub-Director que na primeira conversa se mostrara tão humanitário e tão preocupado com a situação em que ficaria a minha família, deixou cair a máscara com uma simples palavra: "NÃO".
Depois de mais uma sessão de pancadaria desta vez infligida pelo Sr. Sub-Director, regressei à prisão e nunca mais voltei à Vila Algarve.
Umas semanas depois fui expulso de Moçambique com a assinatura do Comandante Sarmento Rodrigues. Ainda tentei fugir no aeroporto. Impossível. Estava algemado e corri meia dúzia de passos. Os PIDES que me transportaram ao avião da Força Aérea Portuguesa queriam que eu fosse algemado no avião. Impô-se, porém, veementemente o Oficial que comandava o avião. Fui excepcionalmente bem tratado pela tripulação do avião mas, durante a escala em Luanda, a PIDE esperava-me e lá fiquei nas suas instalações um pouco mais de 24 horas incomunicável. Embarquei em Luanda e o avião fez nova escala técnica na Ilha do Sal. Também ali a PIDE me esperava e queria prender-me enquanto o avião lá estivesse (2 horas pelo menos). O Comandante da Força Aérea mais uma vez intercedeu por mim respondendo, obstinado, aos PIDE de que eu não teria hipóteses de fugir de uma ilha.
Chegando a Lisboa, na António Maria Cardoso, limitaram-se a assinar um auto em que me fixava a residência ao Concelho de Almada. Afinal, a entrega ao Tribunal de Aplicação de Penas e posterior condenação de 3 anos de prisão revelou-se um "bluff" do Sr. Sub-Director da Vila Algarve.
Desde 1962 portanto que não visitei a Vila Algarve. Milhares de outros o fizeram. Milhares de outros ali foram torturados. Milhares de outros ali perderam a sua condição humana. E foi em nome do Povo Português que o fizeram.E foi em nome do Povo Português que se torturou José Craveirinha que escolheu precisamente o Português para literariamente se exprimir.
A Vila Algarve é uma vivenda que certamente muitos moçambicanos não esquecerão.
Mas bom seria que a Vila Algarve e o que lá dentro se passou chegue ao conhecimento dos portugueses e não caia no esquecimento."
JVR
Ligada ou desligada?
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Não é que não me interesse e que não me continue a revoltar com as políticas deste país e do mundo, não é que me passe ao lado, parece-me apenas que existem coisas mais importantes. Continuo a manter-me informada sim, mas de outra forma. E afinal, há coisas mais importantes na vida que uma televisão ligada...
Mas desafiei-me. Alto e parou tudo que também não podia ser assim! Há uns dias liguei, prestei a atenção que prestava.
Ora no meu país tudo na mesma e défice, impostos, crise, dívida, troika e greves. Nada de novo, tudo na mesma, o governo não caiu (ainda) e o Cavaco continua adormecido por parte incerta e os trabalhadores da CP e do ML continuam a fazer greves porque os sindicatos lhes pagam os dias correspondentes e assim não há rombo no orçamento e sempre se gozam uns dias de "férias".
Em rodapé, porém, chama-me à atenção uma suposta polémica com a Isabel Jonet, presidente do Banco Nacional Contra a Fome. Chamou-me a tenção. Investiguei, ouvi as declarações proferidas num qualquer programa da SIC Notícias. E não me chocou, confesso, ao contrário de uns quantos milhares de pessoas.
O que me choca é que exista quem fique chocado...
Frases como, os portugueses vão ter de aprender a viver com menos ou reaprender a viver mais pobres porque vivíamos muito acima das nossas possibilidades. É mentira? Quantos foram os que se embrenharam nas redes dos créditos só para ter um carro muita potente e televisões tipo ecrã de cinema e casas do tamanho de castelos?
Que é idiota deixar a torneira a correr água enquanto se lava os dentes. Então mas mas mas... Não é?.. Isso é poupar, que mais não seja ser ecológico...
Que é estúpido (digo eu) dar um bilhete para um concerto quando se pode aproveitar esse dinheiro para tirar uma radiografia? Quantas são as pessoas que adiam os seus exames médicos por serem caros e que depois para não ouvirem o choramingar dos filhos os entopem com bilhetes para os Rock in Rio, Sudoestes e concertos das Madonnas e JLos e daqueles One Direction? É mentira?! Estão sempre cheios a abarrotar e esgotados em horas!
Que há muitos portugueses que vivem muito acima das suas possibilidades? E não é?... Os centros comerciais e os jogos da bola continuam a ver-se cheios, os concertos, as Fnacs...
Que se não há dinheiro para comer bifes todos os dias não se podem comer bifes todos os dias.
Onde é que isto é chocante?
Abjecto é ouvir muitos alguéns dizer que deixarão de doar para o BNLF por causa das declarações que a senhora fez.
Deixem de lado as hipocrisias que há tempos quando a senhora ganhou o prémio Direitos Humanos em 2005 todos lhe agraciaram o trabalho.
Deixem de lado as críticas que alguns daqueles que usufruem do Banco Alimentar aparecem bem montados na viatura topo de gama que lhes custa vender porque assim mantém algum status e provavelmente são daqueles que contam tostão a tostão mas a quem não "custa" dar o bilhete para o tal concerto ou para os copos à 6ª à noite ou para uma noite de cinema.
Independentemente do estado do país e de quem governa e dos lobys bancários e concertações, parece-me a mim que há muito português se tornou naquele menino mimado a quem deram tudo em determinada altura da sua infância e que de repente deixaram de poder dar. Se revolta e se queremos a vida boa? Claro que sim. Mas às vezes é preciso mais que cartões de crédito e contas ordenado, é preciso saber definir prioridades, reaprender a vier com o que se tem na realidade e não contar com o que não se tem. Nem tudo é dado de mão beijada e nem tudo na vida é fácil. Desengane-se quem acha que só há vantagens...
Quase que apetece dizer às vozes criticas que unam as suas vozes em prol de alguma coisa mais interessante, que unam as suas forças para lutar por um país digno que proporcione oportunidades iguais para todos...
Mas não direi, Cada um é como cada qual. Todos temos opiniões diferentes e ainda bem se não isto seria uma monotonia...
Eu cá por mim, manterei a televisão desligada.
Faz hoje duas semanas...
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Sei que não te tenho chorado por estes dias, mas acho que também não era isso que tu ias querer e que me chamarias nomes se me visses de olhos inchados. Mas que raio, sinto a tua falta e escrever-te ainda é difícil, as lágrimas têm a tendência para aparecer, o coração como que mirra, o vazio aumenta.
Sei que não te tenho chorado por estes dias, mas para mim, ainda, foste a Espanha ter com a tua Pepa e retornas logo mais à noite cheio de armas e bagagens como era costume fazeres ao Domingo...
Mas não voltas. E tenho de me habituar a isso. Tenho de formar a ideia de que embora me pareça estar a viver num sonho e num mundo que não me pertence, tu não voltarás... E sabes? Essa ideia de cada vez que se forma, dói, dilacera.
O tempo, esse, diz-se que cura tudo e que vem a saudade depois. Mas eu já tinha saudades tuas, do que fomos e não fomos do que não vivemos e não dissemos. E agora? O que é que eu faço com isso, consegues-me dizer?!
Tu andas por aí como saltimbanco que eras a gargalhar de um lado para o outro com o pai, os avós, os teus meninos e nós aqui?! Temos de tentar arranjar um lugar para a dor? Para a saudade? Temos de esquecer que na manhã de dia 21 de Outubro de 2012 ainda estavas bem e falavas e tudo se ia resolver, tudo ia correr bem! Eu disse-te que tudo ia correr bem. Eu Disse-te Que Tudo Se Ia Resolver Caramba!
Acariciei-te a face ainda morna, a mão ainda pulsante, a perna como o tinha feito na noite anterior, beijei-te a testa já fria e pedi-te que esperasses pelo J. antes de ires. E tu esperaste. A cada palavra que te dirigia, a tua pulsação baixa subia. Disse que te amava, que não queria que fosses, pedi-te desculpa e que mais uma vez, tudo ia correr bem. E não correu... Não para nós que cá ficamos e que não sabemos o que fazer com este sentimento que nos invade.. Se tu soubesses a falta que cá fazes não te tinhas ido embora (desculpa o egoísmo)...
Sinto a tua falta quando ainda acordo a meio da noite para ver se estás bem, nas mais pequenas coisas e quero que voltes a bater com a porta aqui do lado e toques aquelas musicas que me aborreciam e espalhes migalhas por todo o lado e deixes tudo desarrumado à tua passagem...
Só quero que voltes porque alguém nos mentiu e não tivemos todo o tempo do mundo e isto dói muito... Vá, eu sei que estou a ser uma menina mimada outra vez, mas eu só quero o meu irmão mais velho de volta, ser a do meio outra vez, receber um abraço apertado teu e ter tempo.
Ter... tempo.
Momento...
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" Foi mágico, lindo! As luzes, o público, o cheiro, a adrenalina a saltar pelas veias, os aplausos!
Mas porque é que ao fim tenho de ir receber o meu cachê?
Provocar risos, sorrisos, alegria nas pessoas e em mim, terá preço? Qual será o preço de uma gargalhada? Será o prato de comida que vou comer mais logo? Mas então porque é que eu tenho de dar dinheiro por um prato de comida se é desse prato de comida que eu preciso para fazer gargalhar e gargalhar também, para viver e poder andar, para poder respirar bem fundo o ar que ainda não pago (...)?"
Tu és isto...
Viveste dessas gargalhadas, dos risos e dos sorrisos que te deram, das lágrimas e dos momentos especiais que partilhaste por esse mundo fora.
E, por mais que me custe, é nesse gargalhar, nessas memórias boas que criaste em cada uma daquelas pessoas que vais continuar a viver...
Tu não ias gostar que eu postasse isto e eu sou egoísta por te querer aqui outra vez...
-Te
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Éramos dois miúdos giros não éramos?
Tínhamos a nossa cumplicidade, a nossa felicidade e (algumas) histórias das quais não me lembro..
Partilhámos corridas de carrinhos nas fileiras do chão de tacos cá de casa, brincámos com o pião, saltávamos de baloiços e subíamos às árvores. Sabia que se caísse no chão, tu amparavas-me. Brigámos. Tu batias-me e eu tentava dar luta. E perdia.
(lembras-te de uma vez nas Caldas que tu querias andar no baloiço que o pai fez para nós mas eu estava lá toda contente? Deste-me uma safanada e fui a correr atrás de ti. Esqueci-me que no meio havia uma porta de vidro e zás! Comigo porta adentro e tu a rir do outro lado? Guardo a cicatriz num braço. Estúpido.)
Íamos de castigo para o quarto e, porta com porta ali voltávamos a brincar outra vez como se nada tivesse acontecido. Foste o Sandokan e eu a sua namorada, foste o Zorro e eu bailarina, foste palhaço e eu fada, crescemos e eu continuei a ser eu própria e nunca mais largaste o nariz vermelho.
Crescemos e a vida deu conta de nós arrastando com ela os sonhos. Da nossa cumplicidade e ingenuidade quando um acenar de cabeça chegava para fazermos uma maldade qualquer ao J., quando éramos chamados à responsabilidade em trio e nunca tinha sido ninguém a fazer a asneira.
Eu que achava que íamos ser crianças para sempre, vi-nos crescer demasiado depressa ao ritmo alucinante que fomos obrigados a viver. E perde-mo-nos algures ali no tempo para nos voltarmos a encontrar uns tempos mais tarde. Pelo meio, sofremos e demos as nossas cabeçadas, discutimos, sofremos e, no fim, descobrimos que, por mais tempo que passasse, nunca tínhamos deixado de nos amar, nunca tínhamos deixado de ser a fada e o palhaço, tínhamos sido sempre, nós dois.
Foste-te embora e agora fazes-me falta. Faz-me falta a nossa cumplicidade que perdemos, as conversas que não tivemos, o abraço, aquele, de nunca demos.
Não te enganes. Tu não foste fácil, assim como eu nunca fui. Tu desatinavas e eu ia logo a seguir, flipava contigo nas mais pequenas coisas. Como ontem a RM me disse tu foste " uma caixa de aguarelas com muitas cores, todas elas muito intensas. Com sabores dos mais doces aos mais amargos" e nem sempre eras fácil, aha! pois que não eras. Mas és o meu irmão, o meu mano velho e mesmo que viesses numa caixa esfarrapada ou forrada a folhas de ouro, aquele olhar da foto e o último que trocámos... Dizem tudo...
Estejas tu onde estiveres, aqui ao meu lado ou a gargalhar com os teus meninos ou em lado nenhum, quero que saibas que tenho um orgulho em ti vezes infinitos e mais além e que não me deves nada meu mano velho, que te amo incondicionalmente e que só tenho pena que não tenhamos tido mais tempo para sermos velhinhos e gozar com as idades um do outro e partilharmos mais estórias de encantar. Queria ter tido mais tempo...
Porque -Te.
Simplesmente, -Te.
Obrigada não chega...
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Por entre salvas de palmas e assobios e cantares e mágicas bolas de sabão fez a sua vénia e saiu pela porta da frente. Pedimos bis, um encore, só mais uma, mas na vida não há retorno nem duas vezes. Só uma, é pegar ou largar.
O Zé soube pegar. E disso são prova os inúmeros testemunhos doces e mágicos que tenho ouvido e podido ler. E não há palavras. Não tenho como expressar o sentimento que me invade... Obrigada não chega. Muito Obrigada também não.
Gostava de ter braços gigantes para a todos poder envolver num gigante abraço que desse a volta ao mundo.
Queria ser poeta para conseguir traduzir a imensidão de cores e sentimentos que ficam cá dentro...
Gostava de poder transmitir o amor e a paz e o carinho que sinto mas não sei como...
Queria que o Zé cá estivesse para nos animar com uma palermice qualquer e que com ele trouxesse o Dr. Cinho para vos tocar a alegria e o Côco vos entregar uma daquelas risadas altas... Queria o meu mano velho para o poder oferecer de volta e deixar de lado a saudade que teima em invadir...
Mas não consigo nada disto.
E um simples obrigada, um muito obrigada, não chega...
Até já mano. Até já...
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O meu mano velho passou por todas as escolhas que podia ter feito, nem sempre foi a melhor pessoa, e nem sempre as escolhas foram as mais certas. Mas sempre, sempre, teve aquela faísca "mete nojo" (como eu lhe dizia), aquele olhar doce e ameninado e aquele sorriso rasgado que fazia com que toda a gente gostasse dele.
Era um tipo tramado. Quando queria embirrar, embirrava a sério, mas quando amava não havia ninguém mais "lambuzento" de amor.
E como soube transmitir esse amor... Aos seus meninos, e menos meninos, enquanto Dr. Cinho do Céu, a plateias cheias de gente e era o Côco, aos seus Amigos quando era simplesmente o JoZé e um simples Bom Diaaa!! chegava para alegrar o dia.
Esse amor, esse carinho eu senti-o hoje na sua última sala, com a sua última plateia, na maior salva de palmas que alguma vez ouvi, enquanto bolas de sabão cheias de sonhos e palavras sobrevoavam a sala embaladas pelas cantigas que se entoaram num misto de saudade e dor e alegria e esperança.
Esse amor e saudade e carinho, eu guardarei para sempre porque me encheu em parte um espaço que até lá sentia vazio.
A todos os que têm o Zé no coração e que foram "atingidos" por aquele dom especial que só ele tinha, eu só posso agradecer por me encherem de orgulho pelo mano velho que tenho, por amenizarem a saudade que já sinto.
Guardem-no nas vossas memórias pelo homem com olhar de criança e alma de palhaço que é...
Obrigada a todos.
Obrigada Zé. -Te mais do que imaginas...
Lights Out...
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Neste circo que é a vida, tu que nem sempre a soubeste viver sorrindo, distribuíste sorrisos sem nada pedir em troca.
Entregaste-te nas mãos de crianças e deste-lhes o prazer da vida.
Partilhaste-te na arena e em troca, recebeste risos rasgados, sinceros.
Deste tudo de ti a quem só precisava de um carinho, de um abraço, de um sorriso.
Partiste hoje sem querer, com medo do que te esperava.
Deixas a minha vida e a quem contigo teve o prazer de privar, mais pobre, mais sisuda, mais triste.
És o meu mano velho que me enche o peito de orgulho.
És o meu mano velho, sempre.
-Te.
Sou mais...
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E quando achava que uma semana muito má, não podia ficar pior... Ficou...
Há perdas que são irreparáveis, que odeiamos, que são quase como se de repente, sem avisar, nos tirassem um bocado e o chão, por segundos, desaparece. Dói. Entristece. Sentimos. Ficamos menos gente perdemos o norte.
Mas somos fortes, a vida rearranja-se e encontra forma de achar o eixo com o passar do tempo. Diz-se que este tudo cura. Qual remédio ou pomada que pomos numa ferida por sarar. Por mim, deixa um remendo que vai sarando, mas não cura...
E deixa as memórias como lembranças que vão deixando de doer quando chega a saudade.
Hoje, não sou menos gente. Estou remendada, mas mesmo assim sou mais...
Obrigada pelas muitas recordações que me deixou e pelos momentos inesquecíveis que me proporcionou.
Obrigada.
15 de Setembro 2012
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Hoje o país saiu à rua levando consigo gerações desesperadas, indignadas, emocionadas, mas sobretudo, esperançadas por um futuro melhor, por uma vida que valha a pena viver, sem angústias nem preocupações com o que o dia de amanhã lhe porá na mesa.
Por mais tristes que tenham sido os motivos que levaram o povo em massa, num dia de calor quente, às avenidas deste país em vez das praias, foi bonito vê-lo gritar, cívica e pacificamente que "o povo unido jamais será vencido".
E é desolador, ver que, depois de uma tarde bonita recheada de momentos como o da senhora que entregou um cravo a um policia frente à sede do FMI em Lisboa, há um grupo de sacanas que com agressões e palavras feias, frente à Assembleia da República, consegue quase, estragar o que milhares por este país espalharam.
Pssst! Cala-te!
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Há tipos que mais valiam estar calados...
Neste video resistente ao "removido pelo utilizador", pode ler-se o comentário:
"What the actual fuck is wrong with this guy? First of all: What makes a rape be "legitimate?" And second: Whatever doctor told you that, is a fucking quack. It doesn't matter if the females wants to have sex or not. Sperm + egg = pregnancy. We don't have trap doors in our vagina for rape-sperm, you fucking douche-bag."
Ora nem mais.
Fim
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" Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!
Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro."
Quem diz que se torna mais fácil com o tempo, mente.
Amo-te.
Sinto a tua falta, do teu cheiro, da tua presença, da tua voz que já não recordo, das tuas sábias palavras mesmo quando imperava o silêncio, do teu olhar.
Tenho saudades.
...
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Ora mas que foda-se! Todos os anos é a mesma merda! Mas por que carga de água (que era bom que agora caísse por algumas zonas do país) é que as pessoas só se lembram de sacar dos sachos e das enxadas para limpar as ervas secas quando o fogo está prestes a bater-lhes à porta?!
Mais de metade da nossa, ainda, massa florestal está abandonada a quem dela quiser fazer uma lixeira a céu aberto e nada de se pedirem justificações a quem quer que seja. Não se sabe quem é o dono? Azar. O estado que enfie lá para dentro os subsidiários do rendimento mínimo, que atire lá para dentro os que estão nas prisões e que limpe e cuide daquilo que, afinal, é de todos e não de um apenas. O estado que faça uso das pessoas a quem paga comida, cama e roupa lavada. Que lhes dê um trabalho que é para isso que, também, lhes paga.
As nossas florestas estão um nojo, as nossas praias idém.
Se as pessoas deste país poderiam ser civilizadas e deixar o lixo no seu lugar?! Podiam. Mas não são e essa é que é a realidade. Apesar de campanhas de consciencialização, enquanto não houver uma educação de base, não vale a pena. Por mais que ensinem a uma criança na escola que o contentor verde é para o vidro, o azul para o papelão e o amarelo para plásticos e metal, e por trás virem os pais fazerem exactamente o contrário daquilo que lhes é passado, nada feito, é insucesso na certa.
Se as nossas leis podiam ter mão pesada para os filhos da puta que acham piada a imagens como a de cima? Podiam. Mas não são, e aqueles que acham porreiro andar a fazer queimadas não controladas e fazer umas faíscas no meio de ervas secas longe do olhar alheio, continuam por aí a rir-se de quem perde uma vida inteira.
Resta-nos ficar impotentemente impressionados com o desespero que assola quem vive o inferno, desejar toda a sorte do mundo aos bombeiros que o estado maltrata e que enfrenta o cenário dantesco cheio de coragem.
A. C. M.
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Mas nada disso interessa.
O que me incomoda é que a vida seja injusta.
O que me chateia é que pessoas que amo e que guardo num sitio especial sofram.
Hoje tive uma má notícia. Chorei e sinto o coração apertado. E se para mim é difícil de aceitar, imagino para a ACM. Ou melhor, não imagino. Não sei o que é, como é, não vou mentir. Sei que a ACM é forte e que vai superar uma vez mais aquela doença sacana, aproveitadora, malvada e traiçoeira. Não só sei que sim, como tenho a certeza. E por saber, limpo a lágrima, acredito e rezo baixinho, tal como ela me pediu para fazer.
E no entretanto ACM, quando te apetecer praguejar, ir ao chão, gritar, espernear, pragueja, cai, grita e esperneia. Tens todo o direito a fazê-lo. E, quando rouca, de perna frouxa, cansada, precisares de ajuda para te levantares, eu estarei aqui.
Como te disse, adoro-te muito vezes infinitos...
Portugal não é só bola
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Acabou-se o Europeu de futebol, vêm aí os Jogos Olimpicos, mas, pelo meio, ainda há um Europeu de Atletismo.
Sendo esta uma modalidade onde, de facto, os portugueses ainda conseguem feitos bem janotas e dignos de valor, parece-me mais que justo um Parabéns à medalhada Sara Moreira (5000m) e aos apurados Patrícia Mamona (salto), Marco Fortes (lançamento de peso) e ao Marcos Chuva (comprimento).
Pena é que a estes atletas não sejam escritas cartas inteligentes, não sejam dedicados anúncios de 2 minutos em horário nobre, não sejam dedicadas primeiras páginas, não sejam feitas esperas com centenas de pessoas.
Lamentável é que a estes campeões não seja dado o devido valor, o reconhecimento público que merecem.
Da minha parte, aqui fica:
Obrigada também a vocês por levarem a nossa bandeira orgulhosamente em ombros mesmo que ela faça muito pouco por vos merecer.
Parabéns!
Até ao Mundial!
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Jogou com a Alemanha e perdeu.
Seguiram-se a Dinamarca e a Holanda e venceu. Veio a República Checa e manteve-se equipa.
Passou às meias finais e fez sonhar um país que de início estranhou, e que a algum custo lá entranhou uma selecção pós Queirós "dor de cotovelo".
O país sonhou e acreditou.
Jogou com a Espanha 90 minutos. Bateu-se e fez-se valer. Soube ser equipa.
Jogou mais 30 minutos. Não lutou tanto, verdade, mas soube correr atrás. Sem prejuízo.
E o povo português espalhado por todos os cantos do mundo continuava a acreditar. Porque valia a pena. Porque mesmo nos penaltis, a recordar 2004, o sonho se mantinha. A rezar a todos os santos, com o coração a bater a mil, as emoções ao rubro, a lágrima no canto do olho, as unhas já roídas, a gritar por Patrício, a gritar pela defesa e pelos dois golos, a praguejar nos falhanços.
No fim,
Faltou-nos um pouquinho de sorte, faltou o "king" e o Ricardo sem luvas, a voz do grande Perestrelo, um Rui Patrício mais inspirado, uma Espanha sem pontaria.
Mas o espírito esse, manteve-se. Temos equipa. Temos Selecção Nacional.
A todos, equipa técnica, jogadores, adeptos, parabéns.
Até ao Mundial!
Ainda a propósito do Euro 2012...
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Ainda a propósito do euro 2012 e publicidade à parte (que se ele há gente a quem não quero fazer qualquer tipo de pub é a esta companhia), este anúncio é, muito estúpido.
Então mas desde quando é que a selecção nacional representa as pessoas de um país?
Então mas ser médico ou biólogo ou carpinteiro ou trolha em Portugal só vale a pena se os jogadores da selecção jogarem bem à bola e fizerem boa figura no Euro?!
Imagino, então, que depois da derrota com a Alemanha houveram muitos de cabeça baixa com a vergonha a fazer as malas e prontos para embarcar...
Portugal não é a selecção nacional e nem se revê em vinte e três jogadores rapazinho. Nem tampouco são esses quem mudam a opinião do mundo no que ao povo português diz respeito.
Mostrar que os portugueses não são fracos e preguiçosos?! E que pelo contrário somos todos honestos, lutadores e corajosos mas só se eles ganharem jogos e marcarem golos?!
Isto para não falar dos nove séculos de história deitados para o lixo e do futuro do país para defender dentro das quatro linhas de um campo de futebol.
Oh pá tenham juízo!!
Quer-me parecer que os preguiçosos foram aqueles que pensaram neste anúncio extremamente inteligente e altamente representativo do povo povo português.
Jogo a jogo
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Acabou a primeira fase do Euro 2012. E a Selecção Portuguesa, contra à opinião de muitos velhos do Restelo, passou. Sempre com adeptos que gritaram e vibraram no estádio a fazer "A Portuguesa" ouvir-se por todos os cantos. Que incansavelmente e que mesmo em número menor se fizeram notar com as suas vozes a cantar mais alto pedindo "só mais um!".
Havia quem não acreditasse na equipa, quem não tivesse qualquer convicção na passagem aos quartos, mesmo antes da derrota não merecida frente à Alemanha. Mas a Selecção, jogou, foi equipa e bateu a Dinamarca. E depois a Holanda, ex-laranja mecânica.
A equipa conseguiu sair do grupo da morte quase ileso.
Os jogadores foram criticados pelos Manéis e pelos Carlos deste país que dão na dor de cotovelo como se de uma manobra de desestabilização se tratasse.
Pois bem. Parece que não resultou.
Quem não acreditou anda nas ruas com as malditas vuvuzelas e buzinas e cachecóis armados no pescoço e bandeiras à volta da cintura como se o amor à selecção fosse inabalável.
Agora, que venha a República Checa. E para já é só. Jogo a jogo. 50-50.
Alguém sabe de uma solução?
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Pode começar, quiçá, por explicar à pedante Lagarde que nem todos os gregos são iguais e que o período negro que a Grécia atravessa não se resolve com o simples pagamento de impostos?
Pode acabar por perguntar àquela besta que se preocupa mais com as crianças de África do que com as gregas, o que é que fez para ajudar, tanto umas, como as outras.
Boa sorte a quem é de boa sorte e quem por ela fizer
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Se entristece? Tem dias. Afinal de contas, não é de um dia para o outro que se deixa de gostar de quem nos acompanha por alguns anos e que de uma forma ou de outra nos dá alguma coisa. Um lugar na nossa memória e no carinho, apesar de tudo, terão sempre - não se deve guardar rancor de ninguém.
Se aborrece? Já não. Se a idade traz alguma coisa, o interessarmo-nos mais connosco e menos com o que os outros acham e pensam de nós, é uma delas.
Se é de deixar que isso nos faça e preencha os dias? Nem pensar. Já não há puto pachorra para pessoas que acham em algum momento que alguns "amigos" são descartáveis.
E tenho, obviamente muito mais em que pensar.
Portanto, muito embora continue a gostar, porque estas coisas não se escolhem, acontecem e pronto, muito boa sorte a quem é de boa sorte e quem por ela fizer.
House M.D.
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Assim chegam ao fim oito séries.
Primeiro: Everybody Lies.
Depois: Everyone Dies.
E finalmente,
Enjoy yourself, it's later then you think
Enjoy yourself while you're still in the pink
The years go by, as quickly as a wink
Enjoy yourself, enjoy yourself, It's later them you think!
Raios.
House vai fazer falta.
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É engraçada a forma como hoje em dia se alternam as amizades que se dizem fortes,de um dia para o outro.
Curioso,no mínimo...
Bernardo Sassetti
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Hoje a Cultura Portuguesa ficou mais pobre. A música que cá se faz perde um compositor que dizem genial. O povo perde o provável arrepio que se sentiria ao ouvir o som das teclas de um piano em cenas num cinema mais próximo.
Li há pouco que a morte do Bernardo Sassetti foi estúpida. Então mas?... Toda a forma como se morre é estúpida. Porque morrer é, quase sempre estúpido, quase sempre injusto.
Mas a música, essa, fica para sempre a fazer parte de uma qualquer banda sonora de uma qualquer vida vivida em tom efémero.
Era assim...
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Em tempos idos, fiz natação. Muita.
A medo, cheguei a competições regionais. E competi aqui. E ganhei até às meias finais - menos a mariposa que não tinha jeitinho nenhum para aquilo de dar a braços tipo borboleta e fiquei-me logo pela primeira ronda.
Lembro-me de tremer que nem varas verdes, de querer fazer boa figura em frente aos avós que, numa daquelas bancadas torciam nervosos, e do nosso entusiasmo que senti no fim.
Não trouxe medalhas, mas ganhei momentos dos quais me hei-de recordar sempre.
É muito triste que uma Câmara como a de Lisboa (e outras tantas neste país) deixe chegar onde chegou um sitio como aquele. Ao abandono e à mercê da degradação urbana/humana.
Pois sim...
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Nem respeito por esses trabalhadores aqui ao lado e nem por nenhum outro que tenha ido trabalhar hoje...
Em dias de campanhas como aquela, isso não interessa nada para a maioria que tem valores mais altos a levantarem-se...
Hoje, todos aqueles que criticaram há tempos o grupo Jerónimo Martins por ter passado o seu capital social para a Holanda, se esqueceram de todas as suas palavras... Pois é, po estas e por outras é que se costuma dizer que pela boca morre o peixe.




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