Que eu tenho andado meio desligada do mundo e das politicas e do que se passa no nosso país e não só, é uma verdade. A televisão essa, nas ultimas três semanas foi ligada à hora do telejornal ou jornal da noite umas poucas vezes apenas ao contrário do que até aí acontecia.
Não é que não me interesse e que não me continue a revoltar com as políticas deste país e do mundo, não é que me passe ao lado, parece-me apenas que existem coisas mais importantes. Continuo a manter-me informada sim, mas de outra forma. E afinal, há coisas mais importantes na vida que uma televisão ligada...
Mas desafiei-me. Alto e parou tudo que também não podia ser assim! Há uns dias liguei, prestei a atenção que prestava.
Ora no meu país tudo na mesma e défice, impostos, crise, dívida, troika e greves. Nada de novo, tudo na mesma, o governo não caiu (ainda) e o Cavaco continua adormecido por parte incerta e os trabalhadores da CP e do ML continuam a fazer greves porque os sindicatos lhes pagam os dias correspondentes e assim não há rombo no orçamento e sempre se gozam uns dias de "férias".
Em rodapé, porém, chama-me à atenção uma suposta polémica com a Isabel Jonet, presidente do Banco Nacional Contra a Fome. Chamou-me a tenção. Investiguei, ouvi as declarações proferidas num qualquer programa da SIC Notícias. E não me chocou, confesso, ao contrário de uns quantos milhares de pessoas.
O que me choca é que exista quem fique chocado...
Frases como, os portugueses vão ter de aprender a viver com menos ou reaprender a viver mais pobres porque vivíamos muito acima das nossas possibilidades. É mentira? Quantos foram os que se embrenharam nas redes dos créditos só para ter um carro muita potente e televisões tipo ecrã de cinema e casas do tamanho de castelos?
Que é idiota deixar a torneira a correr água enquanto se lava os dentes. Então mas mas mas... Não é?.. Isso é poupar, que mais não seja ser ecológico...
Que é estúpido (digo eu) dar um bilhete para um concerto quando se pode aproveitar esse dinheiro para tirar uma radiografia? Quantas são as pessoas que adiam os seus exames médicos por serem caros e que depois para não ouvirem o choramingar dos filhos os entopem com bilhetes para os Rock in Rio, Sudoestes e concertos das Madonnas e JLos e daqueles One Direction? É mentira?! Estão sempre cheios a abarrotar e esgotados em horas!
Que há muitos portugueses que vivem muito acima das suas possibilidades? E não é?... Os centros comerciais e os jogos da bola continuam a ver-se cheios, os concertos, as Fnacs...
Que se não há dinheiro para comer bifes todos os dias não se podem comer bifes todos os dias.
Onde é que isto é chocante?
Abjecto é ouvir muitos alguéns dizer que deixarão de doar para o BNLF por causa das declarações que a senhora fez.
Deixem de lado as hipocrisias que há tempos quando a senhora ganhou o prémio Direitos Humanos em 2005 todos lhe agraciaram o trabalho.
Deixem de lado as críticas que alguns daqueles que usufruem do Banco Alimentar aparecem bem montados na viatura topo de gama que lhes custa vender porque assim mantém algum status e provavelmente são daqueles que contam tostão a tostão mas a quem não "custa" dar o bilhete para o tal concerto ou para os copos à 6ª à noite ou para uma noite de cinema.
Independentemente do estado do país e de quem governa e dos lobys bancários e concertações, parece-me a mim que há muito português se tornou naquele menino mimado a quem deram tudo em determinada altura da sua infância e que de repente deixaram de poder dar. Se revolta e se queremos a vida boa? Claro que sim. Mas às vezes é preciso mais que cartões de crédito e contas ordenado, é preciso saber definir prioridades, reaprender a vier com o que se tem na realidade e não contar com o que não se tem. Nem tudo é dado de mão beijada e nem tudo na vida é fácil. Desengane-se quem acha que só há vantagens...
Quase que apetece dizer às vozes criticas que unam as suas vozes em prol de alguma coisa mais interessante, que unam as suas forças para lutar por um país digno que proporcione oportunidades iguais para todos...
Mas não direi, Cada um é como cada qual. Todos temos opiniões diferentes e ainda bem se não isto seria uma monotonia...
Eu cá por mim, manterei a televisão desligada.
.jpg)