Archive for maio 2010

África do Sul, 2010


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Uma coisa estranha aconteceu hoje...

Como todos os domingos, tenho o ritual de comprar o jornal Público e o Diário de Notícias e sentar-me em cima da cama, bem refastelada e lê-los.
Mas eis que hoje, nada mais de importante se deve ter passado no mundo já que tanto um como outro estavam replectos de noticías sobre o Mundial 2010 que começa na África do Sul daqui a uns dias.

Eh pah eu até gosto da bola e da nossa selecção, mas assim tanto? Não há pachorra que resista...
Pouco ou nada se falava de um Sócrates a chegar da Venezuela, da candidatura do Manuel Alegra à presidência da república, da greve dos camionistas que começa amanhã ou da da função pública de que já se fala (deve ser para a semana para ficar ali bem colada aos feriados). Deixa-se a morte do Dennis Hopper para segundo plano...

Aqueles dois jornais que tenho como referência há muito, trazem ainda duas revistas que costumo folhear. Mas além da crónica do Zé Diogo Quintela, na Pública, hoje, nada de mais se aproveitava... Era mundial passado, mundial presente e um talvez mundial futuro.
Enfim.
Nada de novo num país que vive futebol, respira futebol...

Catástrofe Ambiental... Ou talvez mais que isso...


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Barack Obama, presidente da "Grande nação" que diz que são os Estados Unidos da América ordenou hoje que a BP pague por todos os prejuizos económicos decorrentes do derrame de petróleo no Golfo do México.
Ora, até aqui tudo muito bem, que a BP pague de facto por todos os prejuizos económicos mas então e o resto?!

Hey Mr President...
Ir até praias interditas agarrar em bolas de nafta não chega.
Aumentar a ajuda à população, não é suficiente.

Temos títulos de segunda página:

Diz a TVI 24: " Maré Negra: Obama anuncia comissão de investigação."
A AFP: "" Maré Negra: Obama ataca petroleiras e anuncia maior controlo."
A Euronews: " BP e EUA sem solução para maré negra."

E há mais. Infelizmente, há muitas mais.
Mas há muito poucas que nos falam do desastre ambiental que está a acontecer na costa dos Estados Unidos, e prestes a chegar à costa de Cuba e do México.

Faz falta quem se preocupe, quem ajude os animais da terra e do mar. Porque esses, infelizmente, não se conseguem ajudar... Não se conseguem salvar...

A professora


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Num mundo normal existem várias preocupações. Uma delas é preservar as crianças dos males do mundo e guardá-las de descobertas que, vá lá, podem esperar um bocadinho mais até serem reveladas.
Já por estes lados temos inúmeras fontes de informação para miúdos curiosos e pais meio descuidados. A internet, jornais, revistas nas bancas ao alcance de todos.
Nunca pensei dizer isto, mas eu sou do tempo em que se preservava a infância. Ser miúdo era ser miúdo e era fixe.
Claro que tínhamos as nossas curiosidades, mas essas prendiam-se, principalmente com as aventuras e desventuras dos nossos heróis da tv e com as brincadeiras que tínhamos que inventar para passar o tempo. As únicas coisas ao nosso alcance para folhear eram a tv guia da avó, os kalkitos e as cadernetas de cromos e só isto já nos entretia por dias a fim.
Hoje, no nosso mundo, não. Os putos ja não sabem o que é ser gaiato e têm acesso a tudo, para o bem e para o mal. E quando digo tudo, é tudo mesmo...
A semana passada, por isto, despediu-se uma professora. Porque um garoto mais arisco espreitou a playboy do pai ou na net, e soltou um Uhuuuuuuuuuuu!! Olha aqui a stôra Bruna! E com a sua inocência característica toca de espalhar a notícia e tirar fotos com o telemóvel para mostrar aos amiguinhos a sua professora famosa. E pronto, instalou-se a loucura! Venderam-se revistas para maiores de 18 a miúdos com pouco mais de 8 ou 9 anos de idade. E os pais descobriram, e a direcção de educação também. E no final a preocupação é: que fazer a uma professora tão "impura".
Ninguém se importou com o facto dos putos andarem a ver revistas para maiores, nem estarem a esbanjar o dinheiro que alegadamente aos pais custa a ganhar para comprar a revista e a enviarem MMS com fotos da stôra. Mas nada disso na altura interssava. É preciso é resguardar as crianças da companhia da professora que apareceu nua na revista - não interessa se olham para mulheres, e homens, nesses preparos todos os dias na net. Olhar pessoas nuas e admirá-las é porreiro - desde que não as conheçam...

O dedo


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Que ele há pessoas bem educadas todos sabemos, assim como temos a certeza que existem as mal educadas.
Basta-nos a nossa vivência do dia-a-dia para descobrirmos essas verdadeiras pérolas da raça humana.
Basta-nos dair de casa. Por exemplo: entrar num café, sorrir, dizer boa tarde e pedir uma bica. Quantos são aqueles que do outro lado do balcão sorriem de volta e que devolvem o cumprimento? Vontade? Fazer o sinal do dedo.
Outro: Entrar no carro e querer sair do teu lugar de estacionamento que tanto trabalho te deu a encontrar (só para cumprir as regras ora bolas porque não?!). Mas alto e pára o baile! Não podes. Alguma besta deixou a sua viatura bem por trás da tua em segunda fila, claro...Buzinas. Vá, buzinas mais um pouco. Já te estás passar quando chega finalmente alguém no seu passo vagarento e te pergunta sem um desculpe: Quer sair?! Não ora essa, buzino porque me apetece!! Vontade? Fazer o sinal do dedo.
Mas vamos lá embora. Pões-te ao caminho e já na estrada a falta de civismo aliada à má educação vence. Andam todos no seu volante a tentar vencer as frustrações do seu diário
quotidiano. o verde acabou de cair, atiram-se para cima de ti numa rotunda, ultrapassagem, pimba! buzinadelas - reacção: o dedo. E acrescentamos uns quantos palavrões.
Respira fundo...
Chegas ao trabalho. Tudo trombudo. Soltas um Bom dia! meio cantarolado. Resposta: Humpft. Nada. Nicles. Silêncio. Ignoram-te.
A boa educação reina.
O que fazes? O dedo, e continuas com a tua vida.

Toureios...


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Ok. Já sabemos que da tourada ou se gosta, ou se detesta.
Eu faço parte daquele grupo que odeia.
Porquê? É uma estupidez. Mais uma. E não me venham com a conversa que ah e tal e também se matam de forma cruel as vaquinhas e os porquinhos e as galinhas e outros animais que tais.
É verdade. Matam. Com choques e cenas mais maléficas ainda que não me cabe sequer imaginar. Mas se formos a pensar nisso, não comemos...
E as touradas são para puro divertimento.
Na Roma Antiga entregavam-se seres humanos a leões e tigres para entretenimento dos demais. Eh pah que crueldade!
Mas atirar com os touros para o centro da arena e espetar-lhes uns ferrinhos nos costados não! Isso é que pode ser! Nada, nada cruel! Já para não falar das touradas de morte...
Ah e tal mas antes eram pessoas. So what?! Hoje são animais.
Ah mas é tradição! Tou-me a borrifar para as tradições estúpidas feitas única e exclusivamente do sofrimento alheio.
Não quero com isto dizer, bem feito sr toureiro espanhol Julio Aparicio a quem aconteceu o touro espetar-lhe o corno pelo queixo acima. Mas vontade não me falta...
Diz que está fora de perigo o senhor. Ainda bem. Mas certamente que não aprendeu a lição e não tarda nada está a ver se lhe espetam outro.
E se acontecer? Azar da vida de um gaijo... Quem vai à procura, normalmente encontra...

Com amor... De Portugal!


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Ora bem...

Como é que se coméssa a falar sobre a língua portugueza e as fabulosas calinadas excritas e, faladas, que este nobre povo luzo comé-te tão trajicamente e sem que se apresseba?
Talves assim...
Com umas quantas... Mas... Aha! Atreves-te a traduzir?!

É verdade que a nossa língua é de facto das mais difíceis e complicadas do mundo de aprender a falar e a escrever, mas que raio!, se nos dão ditados e cópias na primária para alguma coisa é!
Mas é complicado, se não vejamos um dia na vida de uma estranha:
" Depois de um alevantar complicado logo pela manhã, sacas do leitinho lá do fringorifico, e achas que te pores jeitosa nada melhor que um bruching no cabeleireiro lá do bairro. Depois, Pimba! Esqueces-te das lunetes, o estigmatismo está pior mas não interessa. Metes-te ao caminho e siga para a otostrada. Dá-te a fomeca, encostas a viatura. Hummm... Um cachorro com catchup, umas salchichas bem aviadas e um pudim do ovo pra sobremesa vem mesmo a calhar! Para rematar, uns percebes (ou em inglês, understands). Segues caminho. Hás-des encontrar o sitio para fazer a escrição! Que diabo não pode ser assim tão longe... Vê lá se vês por aí um lugar onde póssamos estacionar o carro faz favor! Começas a ficar cansada e pensas: para a próxima não váiamos assim para tão longe... Até que finalmente chegas ao destino e na porta pode ler-se: agadrecemos que feixem a porta. "

Ora, o português tem realmente muito que se lhe diga, a confusão com os dois esses, com o zê no lugar do ésse sózinho, o á será com ou sem agá, usar o jota ou o gê, o hífen que tem uma tendência parva de se meter em todo o lado e isto de tempos verbais e de gramática é do pior que o Deus me livre!

A Lingua Portuguesa é do melhor que há. Inventa-se, reinventa-se todos os dias. Adopta estrangeirismos, usa os seus regionalismos e isso faz, também, parte da nossa cultura.

Que seria de nós sem as alcagoitas, os canitos, as áugas, os bandulhos, os jalecos e as zoadas deste país?

Ele há filmes... E filmes...


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Num mundo normal, os filmes fazem-nos pensar, fazem-nos rir, sorrir, chorar. E curiosamente, n munsso mundo também. Embora por cá tenhamos os maus tambem,ou vá..., os péssimos.
Há aqueles que são os filmes da nossa vida,aqueles que nunca esqueceremos, os que, de uma maneira ou de outra, nos ajudaram também eles a crescer - e estes sim, cumprem o seu papel.

E depois há aqueles que nos marcam de outra forma, nem sempre positiva...

Por exemplo, era eu garota, e enquanto via o ET com os meus catitas 5 ou 6 anos, escondi-me por debaixo da cadeira do cinema S. Jorge a morrer de medo que aquele ser estranho de outro mundo e ainda por cima enrugado viesse atrás de mim. E a sensação continuou. De todas as vezes que ía à casa de banho com aquela tenra idade achava que o tipo tinha vindo atrás de mim e que se escondia na banheira por trás das cortinas. Já mais tarde, percebi, ca estupidez! mas porque é que não usou logo o telefone e ligou para casa em vez de me andar a azucrinar?!

Enfim... Depois tinha um Neverending Story com um mundo fantástico que sonhava fosse o meu, um Poltergeist que sempre que a emissão da tv acabava achava que alguma coisa do outro lado falava comigo e um Freddy Krueger que não me deixava dormir.
Que diabo!Que miúda tótó! Não dorme porque o Freddy is coming - nine ten, never sleep again, tem medo de encontrar o ET na banheira e achava que haviam vozes na tv que falavam com ela...

Depois temos as maravilhas que nos emocionam... O Clube dos Poetas Mortos, O Império do Sol. Dois em muitos.

Depois temos os recentes 3D... Mas mas mas... já ninguém pode com as três dimensões e os óculos obrigatorios. Já não há paciência! Isso era para quando era novidade e era um por época tipo Monstro da Lagoa Negra!

Esperemos então que neste mundo os realizadores, os grandes realizadores nos continuem a inspirar, a fazer sonhar.

"I went into the woods because
I wanted to live deliberatly.
I wanted to live deep and
suck out all the marrow of life...
To put to rout all that was not life;
and not, when I came to die,
discover that I have not lived.
"
Henry David Thoreau


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Washington Irving disse:
"Há uma santidade nas lágrimas:
Não são o simbolo de fraqueza mas de poder.
São as mensageiras de um sofrimento esmagador e de um amor indescritível."

Dói.
Daquela forma que parece tudo corrói por dentro, daquela forma que nos torna o coração que, uma vez quebrado, mais pequeno, que nos aperta por dentro.
E magoa.
Da tal forma que não se consegue descrever...

"Devemos manter os nossos olhos nas estrelas lembrando-nos de manter os pés no chão", já dizia Roosevelt, mas é dificil quando nos sentimos elevados por algo mais forte que nós, por algo que nos leva da realidade até ao mundo dos sonhos onde tudo é possível.
E arrebata-nos de tal forma...
Dói. Magoa.

Opções...


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Certo e errado. Bem e mal. Frio e quente. Preto e branco. Esquerda e direita. Fácil e difícil.Sim e Não.

Opostos.
Escolhas que podem influenciar ou não o caminho por onde seguimos, as pisadas que damos,a estrada que escolhemos que fazem de nós aquilo que somos, ou que enfim, escolhemos ser.
Começamos por não escolher nascer, por não escolher o nome pelo qual vamos ser chamados os próximos 90 anos da nossa vida, por não escolher a familia que queremos ter, por não escolhermos ser ricos ou pobres.
Crescemos um pouco e nem a altura de ver os bonecos animados podemos escolher, nem optar por não parar na passadeira ou não comer porque não nos apetece - "Não gostooooooooooooooooo!" era o equivalente a ficar na mesa até comer tudo gelaaaado... já com aquela crostazinha da gordura, ca nojo!... Mas lá marchava com muita água para ajudar que um puto quer é ir curtir a brincadeira! Mas lá está, com sorte, só se nos deixassem depois de tamanha birra... "A menina não tem querer!" E pimba! Mais um desgosto de infância!
Mas o tempo passa, e por ele passa também a idade da inocência em que tudo o que nos dizem ser certo é tomado por garantido - "se engolires uma pastilha ela cola-se ao estomago e morres", é um exemplo que me fez temer a mais pura das desgraças.
Depois, a rebeldia. Podemos engolir todas as pastilhas que quisermos que..., aha! afinal não acontece nada! Os patifes enganaram-me!! Uhuuuuuuuuuuu!! Adolescência!! E com ela as desgraças amorosas das quais achamos que nunca vamos sobreviver, tudo é um drama e achamos que tudo o que nos transmitem é para nosso prejuizo próprio e fazemos ouvidos moucos julgando que em tudo e para tudo temos razão.
É a altura em que temos de contradizer tudo e todos. Em que achamos que o mundo inteiro está contra nós - sim!, em tanta gente não há uma que nos apoie, uma miséria... É aquela fase em que só estamos bem se ouvirmos aquela música alternativa em som bem alto tipo 50 decibéis acima do permitido para que todo o bairro ouça.
Segue-se, a idade da escolha. A idade em que tudo, ou quase tudo, depende "daquela" escolha que só nos cabe a nós fazer... Finalmente aquela frase do "O que queres ser quando fores grande?" continua sem fazer grande sentido mas temos de optar... Arte ou linguas, matemática ou ciência? Quero ser bombeiro ou policia ou até, quiçá, ladrão, deixa de ser uma resposta válida...
Optar pelo certo ou pelo que sabemos ser o errado, pelo que queremos mas magoa ou não queremos e não magoa? Fácil ou difícil, caminho sinuoso ou não?... Escolher abandonar, sair, porque gostamos de nós ou ficar porque gostamos do outro? Fazer o que gostamos e não receber por isso nada a não ser a auto gratificação ou fazer o que não gostamos e receber uma gratificação?
"Porque é que ninguém me avisou que isto ia ser tão complicado?!?"
Chega a fase em que nos apercebemos, então, que foram raras as escolhas que fizemos no passado que foram acertadas e esperamos que doravante tenhamos a coragem para fazer as opções acertadas...

Com vontade de ficar...


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Num mundo normal, a amizade não se discute, não se descobre, não se pensa nela, sente-se e pronto.
No nosso, há que descobri-la. Mas essa jornada, essa viagem, nem sempre é fácil, nem sempre é pretendida, mas às vezes temos surpresas, das boas e claro, das más também.

Amigo, e não querendo cair no lugar comum das palavras, é aquele que está ao nosso lado de forma altruísta. É aquele que não quer nada em troca, que está porque gosta sem exigir nada em troca. É aquele que ouve e sabe ouvir. É quem nos apoia nas boas decisões e nos critica nas más, é quem nos aponta o dedo e nos dá um abraço, um ombro, de seguida. É quem não pergunta e entende com um olhar...

Dizia Charles Chaplin:
"Durante a nossa vida conhecemos pessoas que vêm e que ficam,
Outras que vêm e passam.
Existem aquelas que vêm, ficam e depois de algum tempo se vão.
E existem aquelas que vêm e se vão com enorme vontade de ficar..."

A todos aqueles que me conhecem e se quiseram dar ao trabalho de me conhecer, que me criticam e apoiam, a todos aqueles que se têm mantido ao longo dos anos, obrigada.

Ssshhhh...


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Ssshhhh... Sshhhh... Silêncio...
Não, não se vai cantar o fado, se bem que ultimamente já só falta mesmo isso.
É dito e certo que ele há algumas, vá, muitas coisas que me chateiam, me aborrecem, me tiram do sério. A falta de silêncio e o facto de outros não respeitarem os meus ouvidos são uma delas. Além do que, à conta, sou bem capaz de daqui a uns aninhos vir a precisar da visita de um daqueles agentes manhosos que vendem aparelhos auditivos a pilhas de relógio a baixo custo e dedutíveis no IRS.

Num mundo perfeito ninguém ousa perturbar o som do silêncio, conversa-se sem se falar, ouve-se sem se escutar. Aí, basta fechar fechar os olhos para que o sentido da audição entre em shut down.

Por cá, não. O silêncio máximo e absoluto não se respeita, logo, não existe. Basta pensar na parafernália de sons que nos rodeia todos os dias, a todas as horas - é inacreditável, insuportável. Ora é o bruá das conversas alheias que se têm num tom ridiculamente alto, ou o vizinho de cima a quem apetece fazer umas mudanças às tantas da noite, ou o ruído que insiste em tocar nos carros que passam.
Grandes, pequenas ou médias concentrações tornam-se impossíveis de suportar...

E chateia-me. E tira-me do sério essa falta de respeito.
Será só a mim?...

Os três "Fs" continuam...


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Correm os anos 70 e Zeca Afonso canta:

" Eles comem tudo, eles comem tudo,
eles comem tudo e não deixam nada..."

Imposto sobre o subsídio de Natal.

Ui! Desde que não nos tirem o TGV, a nova ponte sobre o Tejo e o novo aeroporto está tudo bem! Pulamos de alegria!
De facto, e como por aqui já referi, Portugal continua a ser o país dos três efes mesmo 40 anos volvidos.

E não é que o nosso governo escolheu a altura certa para aquela divulgação bombástica mas à qual ninguém parece ligar pevas. E que altura é esta tão especial? Futebol, Benfica campeão (e é a primeira e última vez que menciono o nome deste clube aqui, só para avisar!), o Papa Bento XVI de visita para o 13 de Maio a Fátima e o triste Fado luso em ter de gramar com um país cheio de pessoas que se está a borrifar para o estado da nação.

Enfim, desde que não nos tirem o Futebol e Fátima está tudo bem. A cantoria vem depois quando o tuga quiser refilar... Todos se esqueceram dos valores de Abril...

Mas lembrem-se! Para haver uma manif temos a árdua tarefa de conseguir juntar mais que três pessoas! Uma manif que se quer manif, diz uma lei dos saudosos 1974, só é manif quando se juntam mais que três pessoas em aglomerado. Então e se formos só dois a reinvindicar os nossos direitos à porta da assembleia?! Na! Não serve. Mas podemos sempre disfarçar uma amena cavaqueira com quatro ou cinco!...

Imposto sobre o subsídio de Natal...

"Eles comem tudo, eles comem tudo,
eles comem tu e não deixam nada..."

Just go with the flow...


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Num mundo perfeito, a felicidade corre pelas veias, não é preciso procurá-la ou sequer alcançá-la. A tristeza não existe nem toma conta de nós quando menos esperamos, por motivos que desconhecemos ou por motivo nenhum.
Num mundo normal, percorremos os arco íris do inicio ao fim mesmo quando o sol não brilha, encontramos soluções para atravessar um riacho que corre na sua máxima força. Neste, desistimos e meio porque a jornada para a subido do arco nos parece demasiado longa e o riacho está sempre agitado.

Aqui, falta a coragem para continuar a lutar contra nós próprios, e outros, quando o melhor é apenas go with the flow, como se faz num mundo perfeito, onde a fé fervorosa não existe, não é precisa e nem sequer se lhe nota a falta. Por cá, a fé por necessidade, quase que por desespero é o que move muita gente. E é o não ter a ajuda divina, o falhar no final, a desilusão, que nos deita ao chão e não nos deixa levantar. É o medo que nos deixa estarrecidos e presos a um passado onde outrora fomos, vá, felizes. Ou quase... Sem que nos apercebessemos que a felicidade é eterea e, quiçá, talvez utópica.

Viver neste mundo não é fácil, mas podemos sempre facilitar...

Sta Claus is coming to town! Ups! Afinal parece que não...


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É verdade.
Diz que o Papa is coming to town qual Santa Claus.
Num mundo normal, a visita do Pai Natal é sempre esperada com aquela ansiedade, e vá!, no nosso mundo também. Mas temos um problema. Estamos em pleno mês de Maio e quem vem é o Papa Bento XVI. Ora que este consegue dar a volta à nossa cidade, ao nosso quotidiano de uma forma que nem o saudoso Pai Natal consegue.
Ruas fechadas, escolas encerradas, casas revistadas, transportes públicos parados, pontes dadas pelo nosso generoso governo, hospitais a funcionar com serviços mínimos.
E isto tudo porquê?! Aha! Afinal Santa Claus is coming to town!! Uhuuuu!!
Hã?!
Estamos em Maio?!
Eh láááá!!!
Atão, mas isto tudo é porque o Papa vem de visita ao nosso pitoresco cantinho à beira mar plantado?!
Nããããã... Não pode...
Nenhum país, no meio de uma crise económica como a que consta estamos a atravessar pode parar porque vem aí o suposto líder da igreja católica...
Como?!.. Pode e pára mesmo?! E por três dias?!
Fantástico...
Mas então não é Portugal um estado laico?!

Todos têm os seus azares...


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De facto...

Todos têm os seus azares...

Este foi apanhado em flagrante gamanço e sem vergonha nenhuma (o que queremos que faça da sua vida?! Hum... Pois... Nada!... Acabe com ela. Talvez seja mais fácil...),

Outros têm de ouvir outros ainda mais idiotas ainda a insultarem-nos com qualquer coisa do tipo: "o sr é um palhaço!" (com muito gosto qual anúncio, pode-se pressupor!),

E outros há que ainda dizem: (...) é a tua tia! (como se a desgraçada da senhora tivesse alguma culpa no nascimento de tal criatura!).

E por gente assim está a ser governado o nosso país...

(P.S. Grande Mário Crespo!!)

Lá num país cheio de cores...


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E pronto! Já cá faltava este tema tantas vezes falado, tantas vezes saudosamente recordado! Que diabo isto é difícil caramba! Há tanta coisa de que nos lembramos desejando que o tempo voltasse para trás só para sentir aquela sensação outra vez...

Como costumo dizer, a minha geração, outrora "rasca", é a geração dos desenhos animados, vá!..., tótós, patetas, dos desgraçados e dos orfãos que com as suas estórias de vida nos partiam o coração e aqueles genéricos musicados a puxar ao sentimento.

Naquela altura a nossa vida era tudo menos um drama. Eramos felizes no verdadeiro sentido da palavra.

Naqueles dias estava oficialmente aberta a era do Sandokan, do Marco, da Heidi, da Candy Candy, da Abelha Maia, do Verão Azul. Tudo séries de tv feitas de miúdos com vidas do pior que o Deus me livre para miúdos com vidas (sei hoje!) de sonho.

O Verão Azul, por exemplo. Essa fantástica série espanhola que conseguiu capturar o verdadeiro sentido das férias grandes só sabe bem rever quando? Ora pois! No Verão! Experimentar ver isto no Inverno é quase como que andar com uma t-shirt em plenos Pirinéus da Heidi. Não, o Verão azul é para ser visto entre Julho e Agosto.

Era a altura em que saltávamos aos pulos para a cama dos nossos pais às 7 da manha para nos ligarem a televisão porque não chegávamos ao botão e olhávamos para aquela mira técnica durante minutos que nos pareciam horas.

E enfim, éramos felizes.

Para nós chegava o fabuloso Toddy-cóptero a cheirar a chocolate pró leite, um jogo de peão, um elástico sacado à socapa das cenas das mães, ficavamos contentes com uns berlindes e fazíamos a festa com uns carrinhos de rolamentos pra descer a rua. Nessa altura podiamos sair à rua sem medos e em que a única recomendação era um estrondoso: "Não aceites doces de estranhos!!" e pimba! Porta fechada atrás de nós e toca prá rua até às tantas!

O mais próximo de tecnologia que tínhamos era uma folha de celofane azul ou vermelho em frente aos ecrãs das tvs a preto e branco e um zx-spectrum com teclas de borracha que derretiam depois de muito tempo a jogar aqueles jogos que demoravam eternidades a carregar com um tal de load "".

E éramos felizes. Muito felizes...

Super Heróis - Ou talvez não...


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Na nossa realidade, pessoas há muitas, heróis, muito poucos. Há os aspirantes, aqueles que sonham em ser a figura épica do filme de ficção da moda e ainda aqueles que sonham em ser quem não podem ser.
Num mundo perfeito, ser um super herói não é nada de especial. Todos o são. Todos lutam de "capa e espada e sabres de luz" para superar de forma excepcional um qualquer problema de dimensão épica.
E quantos de nós não anseiam em lutar contra o crime e a injustiça que muitas vezes nos rodeiam, hum?! Quantos de nós não tiveram já a vontade de arrancar a camisa qual Super Homem ou Homem Aranha numa cabine telefónica (daquelas que hoje são raras) e salvar a "donzela" em perigo?
Quantos de nós nos esquecemos que ser super herói não é só isso?...
Para ser Herói não é precisa uma capa nem super poderes do tipo voar ou visão do tipo raio-x.
Basta vontade. Basta ser altruísta e ser guiado por fortes ideais, ser moral.
Fazer a diferença é o suficiente.


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Num mundo normal, a arrogância não existe, à semelhança de tantas outras coisas.
Já a nossa dimensão parece estar literalmente carregada de gente "know it all" incapaz de reconhecer o que não sabe, inaptos na capacidade de se declararem tão simplesmente,...
Estúpidos.

No nosso país...


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"Ai, Portugal Portugal,
De que é que tu estás à espera?" já cantava o Jorge Palma...

Não é que tenha vergonha das gentes deste meu país, que não tenho, pelo menos de algumas e muito pelo contrário.

Mas é que ele há coisas neste povo requintado cheio de estórias e histórias que me conseguem tirar do sério. Não me considero uma pessoa viajada nada por aí além, mas de facto, o que por cá se passa..., só mesmo por cá...

Se não vejamos:

Porque diabo ficam as pessoas paradas nas escadas e tapetes rolantes do lado esquerdo? Ainda não aprenderam que o lado corecto para essa posição é o direito?! Hum... Ora, já me lembro de ver essa maravilha do homem lá bem nos anos de 1980 e na altura, respeitava-se um sinal onde se podia ler qualquer coisa do tipo: " circule pela esquerda". E verdade seja dita, as pessoas respeitavam. Será porque o bendito aviso deixou de existir e as pessoas desaprenderam?... Pois...

Porque raio há sempre alguém que insiste em largar aquela "impressão" na garganta pelo meio da nossa calçada que tanto trabalho deu a quem a calcetou?! Eh pá ca nojo!! Por cada "rrrrrrr" que ouço dá-me vontade de lhe enfiar aquilo pela goela abaixo!

O nosso povo é medroso. Tem sempre receio de não sair do transporte público a tempo, daí ficar sempre bem em frente à porta de saída. Quando tal não acontece, há sempre aquele guincho: EEEEHHHH!!! OLHE A PORTAAAAA!! E mais uns quantos cobres para gastar na minha velhice em aparelhos auditivos.

Os problemas dentários existentes? Tudo tem uma explicação. Eu, por exemplo, à conta das hiper mega gigantes Super Gorila de morango (com sabor ácido, fantásticas!) fiquei com um maxilar meio que deslocado. Deu para a galhofa atroz de uns pais fantásticos. Mas, como dizia, o povo português gosta que gosta de mostrar a sua dentuça enquanto masca a sua pastilha e faz sons irritantes com a boca aberta. Tanta pastilha com açúcar não pode fazer bem...

E apressado. Pois que há sempre um fura filas. Experimentem uma paragem de autocarro logo de manhã, por exemplo. Imaginar em dias de greve é melhor. É a loucura! Quantas são as velhotas a tentar passar à frente do jovem carregado com a sua mochila de 20 Kilos? E depois diz que são os jovens que não têm respeito...

Enfim. Não me considero, de todo, uma pessoa viajada, mas ele há coisas que só acontecem neste país pitoresco...

"Ai Portugal, Portugal,
Enquanto ficares à espera,
Niguém te pode ajudar (...)"

Uma leve sessão de matemática...


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Ora pois que num mundo normal diz não é preciso muito dinheiro para se comprarem 150 viagens de metropolitano. Já no no nosso mundo, aparentemente e alegadamente, são precisos 18 mil euros. Isso mesmo! Dezoito mil euros, ou em moeda antiga, qualquer coisa como três mil e seiscentos contos.

Ora num mundo perfeito, contas destas não sao lá muito difíceis de fazer. Uma viagem de ida e volta deve custar o quê?, um euro e meio, mais coisa menos coisa, logo, (€1,5 x 150 viagens) x 3 cartões = €225 x 3 = €675.

Espante-se! No nosso mundo, estas 150 viagens vezes três cartões carregados custam quase 27 vezes mais! É espantoso como nos nossos ministérios e institutos se sabe fazer contas de multiplicar!