Ssshhhh... Sshhhh... Silêncio...
Não, não se vai cantar o fado, se bem que ultimamente já só falta mesmo isso.
É dito e certo que ele há algumas, vá, muitas coisas que me chateiam, me aborrecem, me tiram do sério. A falta de silêncio e o facto de outros não respeitarem os meus ouvidos são uma delas. Além do que, à conta, sou bem capaz de daqui a uns aninhos vir a precisar da visita de um daqueles agentes manhosos que vendem aparelhos auditivos a pilhas de relógio a baixo custo e dedutíveis no IRS.
Num mundo perfeito ninguém ousa perturbar o som do silêncio, conversa-se sem se falar, ouve-se sem se escutar. Aí, basta fechar fechar os olhos para que o sentido da audição entre em shut down.
Por cá, não. O silêncio máximo e absoluto não se respeita, logo, não existe. Basta pensar na parafernália de sons que nos rodeia todos os dias, a todas as horas - é inacreditável, insuportável. Ora é o bruá das conversas alheias que se têm num tom ridiculamente alto, ou o vizinho de cima a quem apetece fazer umas mudanças às tantas da noite, ou o ruído que insiste em tocar nos carros que passam.
Grandes, pequenas ou médias concentrações tornam-se impossíveis de suportar...
E chateia-me. E tira-me do sério essa falta de respeito.
Será só a mim?...