Certo e errado. Bem e mal. Frio e quente. Preto e branco. Esquerda e direita. Fácil e difícil.Sim e Não.
Opostos.
Escolhas que podem influenciar ou não o caminho por onde seguimos, as pisadas que damos,a estrada que escolhemos que fazem de nós aquilo que somos, ou que enfim, escolhemos ser.
Começamos por não escolher nascer, por não escolher o nome pelo qual vamos ser chamados os próximos 90 anos da nossa vida, por não escolher a familia que queremos ter, por não escolhermos ser ricos ou pobres.
Crescemos um pouco e nem a altura de ver os bonecos animados podemos escolher, nem optar por não parar na passadeira ou não comer porque não nos apetece - "Não gostooooooooooooooooo!" era o equivalente a ficar na mesa até comer tudo gelaaaado... já com aquela crostazinha da gordura, ca nojo!... Mas lá marchava com muita água para ajudar que um puto quer é ir curtir a brincadeira! Mas lá está, com sorte, só se nos deixassem depois de tamanha birra... "A menina não tem querer!" E pimba! Mais um desgosto de infância!
Mas o tempo passa, e por ele passa também a idade da inocência em que tudo o que nos dizem ser certo é tomado por garantido - "se engolires uma pastilha ela cola-se ao estomago e morres", é um exemplo que me fez temer a mais pura das desgraças.
Depois, a rebeldia. Podemos engolir todas as pastilhas que quisermos que..., aha! afinal não acontece nada! Os patifes enganaram-me!! Uhuuuuuuuuuuu!! Adolescência!! E com ela as desgraças amorosas das quais achamos que nunca vamos sobreviver, tudo é um drama e achamos que tudo o que nos transmitem é para nosso prejuizo próprio e fazemos ouvidos moucos julgando que em tudo e para tudo temos razão.
É a altura em que temos de contradizer tudo e todos. Em que achamos que o mundo inteiro está contra nós - sim!, em tanta gente não há uma que nos apoie, uma miséria... É aquela fase em que só estamos bem se ouvirmos aquela música alternativa em som bem alto tipo 50 decibéis acima do permitido para que todo o bairro ouça.
Segue-se, a idade da escolha. A idade em que tudo, ou quase tudo, depende "daquela" escolha que só nos cabe a nós fazer... Finalmente aquela frase do "O que queres ser quando fores grande?" continua sem fazer grande sentido mas temos de optar... Arte ou linguas, matemática ou ciência? Quero ser bombeiro ou policia ou até, quiçá, ladrão, deixa de ser uma resposta válida...
Optar pelo certo ou pelo que sabemos ser o errado, pelo que queremos mas magoa ou não queremos e não magoa? Fácil ou difícil, caminho sinuoso ou não?... Escolher abandonar, sair, porque gostamos de nós ou ficar porque gostamos do outro? Fazer o que gostamos e não receber por isso nada a não ser a auto gratificação ou fazer o que não gostamos e receber uma gratificação?
"Porque é que ninguém me avisou que isto ia ser tão complicado?!?"
Chega a fase em que nos apercebemos, então, que foram raras as escolhas que fizemos no passado que foram acertadas e esperamos que doravante tenhamos a coragem para fazer as opções acertadas...