Quanto custa um sorriso questionei-me logo pela manha.
Ora que, num mundo normal, um sorriso não custa nada. É à borla, oferecido, dado.
Ora que, num mundo anormal como o nosso, um sorriso deve ser extremamente caro, caríssimo aliás, deve ser o mais precisoso dos bens que não sai de casa, já que raras são as vezes que se vê alguém com um bem visível.
Logo pela manhã ia sendo albarroada por três vezes, uma outra passada a ferro por uma viatura pouco maior que eu (era um smart e de esperta a sua consutora não tinha nada), e, eis senão quando chegada à estação do comboio o passe, que é novo, não passa. Lá vou ter com o segurança. Sai-me um Bom dia!, naturalmente com o tal sorriso. Nada de volta. Nem uma expressãozinha de simpatia. Lá me deixa passar. Tudo bem. O dia há-de ser melhor, dias infelizes todos temos. Quando peço um café, mesmo assim, com um sorriso na face, tenho uma bica atirada à valente para cima do balcão. Ora mas que raio! Está bem que é segunda feira de manhã, está bem que ninguém trabalha por gosto, mas que diabo!, que culpa é que eu tenho?!
Este boneco devia estar estampado em todos os locais públicos, autocarros, táxis, estações de metro, museus e afins. Em todos os lugares onde fosse prestado um serviço público e, em nossas casas. Para nos lembrarmos que sorrir, rir, faz bem à saúde e ao próximo.
E mais, não se paga nada.
Um sorriso não custa, nem dar nem receber.
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Quanto custa um sorriso?
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