As nossas notícias


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Há dias em me aborrece solenemente ligar a televisão à hora de um qualquer telejornal.

Porquê? Porque num mundo anormal como é o nosso há sempre coisas estranhas e reais a acontecer que, digo eu, merecem algum destaque. Mas não devem ser recalcadas ou perdem o seu intuito. Deixam de ser notícia.

O problema dos trinta e três mineiros encurralados num espaço ínfimo a 700 m de profundidade numa mina do Chile e o seu resgate. Foi notícia igual atrás de notícia igual por três ou quatro dias de seguida. Talvez mais, deixei de ver.
Tal é que o caso da Sra. Rosalina e do Sr. Tomé Feteira deixou de ser uma história de amor difícil, como quase todas, passou a ser uma história de ganância e arrogância. Deixou de ter alguma coisa a ver com o seu homicídio e o assassino e passou a ter tudo a ver com a herança que o Sr. Feteira deixou e pela qual tantos anos trabalhou. Passou a ser um caso de revista cor de rosa em que se discute uma herança com alguém que já morreu.

Temos a sentença da Casa Pia que tantos adiamentos já teve que só a comunicação social para criar notícia ainda acredita que é desta.

O caso Queirós. Outra novela. E só porque alguém certamente não gostou de ouvir algumas verdades.
A crise, os lucros dos bancos, o número de desempregados que sobe, a prestação da casa que se mantém na mesma mas! que ameaça subir, as obras do governo e as crises de identidade deste e da sua alegada oposição.
Irra! Neste país fazem-se notícias, criam-se casos, por tudo e por nada!

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