11 de Setembro


.

Num mundo normal, eu não escreveria isto num dia como hoje. Quiçá me desse para falar por aqui de qualquer coisa muito mais corriqueira como a manha do vizinho, as escolhas politicas palermas que se têm estado a tomar neste país, etc., ou até sobre nada.

Mas não. Faz hoje dez anos que uma cambada achou por bem tomar de assalto uns quantos aviões e atirá-los sem mais nem ontem contra uns quantos edifícios de renome nos Estados Unidos da América.
E eu, à semelhança de tantas outras pessoas lembro-me exactamente do que estava a fazer há dez anos, com quem estava e onde estava. O que é estranho, considerando que não me recordo do que fiz há uma semana.
Assisti em directo ao segundo embate na Torre Norte do World Trade Center. Ao longo da tarde, recebi e-mails, imagens, fotos do que se ia passando na velha Nova Iorque. E chocou-me, como certamente a muitos, ver aqueles que hoje já não são, implorar pelas suas vidas acenando lenços brancos que se destacavam por entre o fumo negro, ver aqueles que acharam que saltar para a morte seria a melhor opção, ouvir o som ensurdecedor do tombar dos edifícios por entre os gritos de quem assistia em fuga. E depois, o silêncio. A poeira, as cinzas, dizem, o cheiro a morte. Impressionaram-me as despedidas telefónicas, a felicidade do reencontro de quem se julgava desaparecido, a glória do salvamento que aconteceu apenas vinte vezes. Tal como ainda hoje me emociona rever todos esses momentos...

Nova Iorque é diferente. Vive diferente, sente diferente. Tem uma batida sua, um swing só seu, talvez por ser uma mescla de todo o mundo, onde todas as culturas, todos os países, têm mais do que um representante...

E naquele dia morreram 2.749 pessoas, cinco das quais portuguesas. Cidadãos de 87 países diferentes. Muito embora o atentado e aquele dia sejam relembrados e vividos de forma diferente culturas afora, o que sentem hoje, e sentiram na altura, é certamente o mesmo.

Oxalá não me torne a lembrar de outro dia assim.

Your Reply