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Baladas e destinos
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"Disseram-me um dia Rita, põe-te em guarda..."
Desde criança que o meu pai me cantarolava na sua voz muito própria, a Balada da Rita do Sérgio Godinho. Talvez como forma de me preparar, à sua maneira especial de ser, para o que a vida me haveria de presentear com..
"Aviso-te a vida é dura, põe-te em guarda..."
Vá-se lá saber porquê, mas verdade seja, que ficou. Não me assenta que nem uma luva, não inteiramente nesta fase da minha vida, mas sim, houveram momentos em que até os acordes iniciais arrepiavam de tão verdadeiros.
"Cerra os dois punhos e andou, põe-te em guarda..."
Até ao dia daqueles wake up calls que parecem impossíveis e que, diga-se chegam na altura que, mais tarde, descobrimos ter sido a perfeita. Mudam-me, fazem-me crescer. Em alturas do passado fizeram-me ver que a vida não se resumia de todo a um conto de fadas, casas e vidas perfeitas.
"Eu disse adeus à desdita
e lancei mãos à aventura..."
Atiro-me várias vezes ao chão com as decisões que tomo. Mas esforço-me, levanto-me. E tento seguir em frente esforçando-me por não olhar para trás. O passado lá vai, lá vai não funciona sempre e comigo não foi, e não é excepção. Errei, muito. Asneiras? Tive a minha quota parte, sim. Não faço delas a minha bandeira, tento não errar, não ser injusta, mas com isso tento aprender e, enfim, a vida continua. A estrada está lá para ser seguida.
"E ainda aqui está quem falou."
Serei sempre eu, apesar de tudo. Porque os meus valores não mudaram. Porque não dependo das três Moiras, Senhoras do Destino, para tecerem o meu fado. Dependo apenas de mim.
Serei sempre eu, também da forma como todos aqueles que rodeiam me ajudaram a ser, a ver, a pensar, a viver.
"(...) mas quem tratou de me amar
soube estancar o meu sangue
e soube erguer-me do chão..."
