Viver de novo


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"Um artista que deixa de produzir arte está a cometer suicídio emocional. Sai do sofá, e recomeça a pintar."

E encaixa que nem uma luva. 
Se calhar foi mesmo isso que me aconteceu. Cometi suicídio emocional todos os dias durante alguns largos tempos...
Quando há já dezasseis anos escolhi, quase à força depois de uma saída de cabeça erguida de um Conservatório ainda conservador, enveredar pelo campo das telecomunicações, decidi, como em tudo, que haveria de dar tudo de mim. O meu máximo e mais alguma coisa que pudesse dar. Nem sempre o soube fazer, nem sempre agi da melhor forma com que me rodeava, nem sempre terei sido a pessoa mais correcta. Mas era a única forma que sabia ser, que sabia estar. Não tinha nenhuma outra, nem sabia tampouco que essa seria a errada. Levei algum tempo a descobrir e sei, que pelo caminho, magoei muitas pessoas com quem lidei diariamente e a quem, hoje, peço desculpa, se ainda adiantar.
Até àquele Dezembro, a minha vida sempre havia sido ladeada de cores e tintas e pincéis e papéis fotográficos, uns dias tintas escuras, outras claras, por vezes neutras, instáveis, tal como eu. Por um motivo, por outro, fui adiando o sonho, erradamente. Fui aos poucos desistindo do que me fazia sentir bem e una comigo, do que na verdade me fazia, feliz. Deixei os tubos de tinta e as garrafas de terebentina, arrumei os pincéis na maleta, fechei o cavalinho e passei a encher os dias com folhas de excel e com preocupações que não me pertenciam.
Cometi suicídio emocional, mas aos poucos, começo a ressuscitar.

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