... em que achava que a vida durava para sempre. Que era invencível e que nada nem ninguém me podiam acertar. Que era muita forte e que de uma maneira ou de outra conseguiria resistir a todas as tempestades com que a tal vida me acertasse. Tentava fugir e andar pelos espaços da chuva saindo molhada.
Houve um tempo que achei que a vida durava para sempre. Que todos durariam para sempre e que estariam sempre ao pé de mim. E que por isso, eu poderia usar e abusar das palavras à minha maneira meio rebelde. Atingi e magoei com muitas dessas palavras, certamente, muita gente.
Houve um tempo, que achei que a vida se vivia sozinha, que não precisava de ninguém, que só eu chegava.
Houve um tempo que não há mais.
A vida corre por ela, sozinha sem precisar muito da nossa ajuda, o tempo passa, ensina-nos nem sempre da melhor maneira, e quando por fim, nos vemos na dor da solidão, acreditamos, enfim, que o estar só afinal não é a melhor coisa do mundo. Que, muito embora precisemos do nosso espaço, do nosso silêncio, também amamos e podemos ser amados, que precisamos de uma mão que nos ajude a levantar, de alguém que nos diga o quão importantes somos.
A vida não dura para sempre e nem para sempre estão por cá as pessoas e os momentos que tomamos por garantidos. A vida não é escapar pelos espaços da chuva e nem achar que se pode fugir das tempestades para sempre. A vida é a vida, cair e levantar, dar a mão e deixar que no-la deem. A vida, como alguém disse, faz-se caminhando, um dia de cada vez, e nunca correndo. Faz-se apreciando os pequenos momentos prazerosos com que somos brindados, sejam eles um dia de sol ou um pássaro que chilreia numa árvore despida ou a luz de um relâmpago que faz ecoar uma trovoada ao longe.
Nada é garantido. Nada é nosso.
Temos o amor que sentimos a quem queremos bem e é isso, nada mais importa.
O tempo em que achei que a vida eram coisas e que era preciso ter pressa, passou há muito e há muito que descobri que o importante, afinal, são as pessoas, sou eu, com calma, serenidade e paz. Fazer e estar o melhor que sabemos, como sabemos. Um dia de cada vez. Mesmo quando custa e tenhamos pressa.
Afinal, vida não espera e o tempo não perdoa.
