NiLdeberto, o ramboieiro


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NiLdeberto, quero que saibas que és um bom veículo. Apesar de beberes que nem um maluco. De seres por vezes um pouco mais lento do que eu gostaria. De te sujares com mais facilidade que o teu predecessor TIbúrcio. De me tirares uns trocos jeitosos todos os meses. 
NiLdeberto, eu gosto de ti, foste quase amor à primeira vista. Eras o menino janota cá da terra e o mai novo cá da malta. Lavadinho, reluzias entre os outros e impunhas o teu respeito.
Até ontem à noite.
Decidiste rebeliar-te. Malandro, meu sacana. Fartaste-te de andar só e quiseste ter um muito close encounter com um daqueles postes manhosos de estacionamento que têm quase metade da minha altura.
E deixaste de ser o menino bonito cá da área e passaste a ser mais um entre todos os outros, NiLdeberto. Porquê NiLdeberto, porquê?!? 
Juro que não te entendo mais NiLdeberto. Sempre tive todo o cuidado contigo, sempre te estacionei em sitios onde para os outros fosse difícil chegar até ti, sempre te lavei para ficares reluzente (embora estes dias andasses um pouco mais porcalhão que o é normal, é a crise, devias entender...), já te aspirei a areia da praia que carregavas contigo, já te dei água cheirosa para os teus vidros, e mesmo assim preferiste um poste inventado por um palerma qualquer que nem se lembrou de o embelezar com umas tiras fluorescentes para que pudesse ser visto em locais com zero iluminação. 
Tudo bem, NiLdeberto.
Chegaste do teu encontro tarde e a más horas, riscado e com uma mossa que não te feriu de morte, apenas te arranhou, NiLdeberto.
Mas, tudo mal, NiLdeberto... É a mim que custa o teu arranjo, NiLdeberto. É a mim que custa olhar para ti, assim...

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