Nunca mais. Never Again.


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Um dia destes fui ao Jardim Zoológico de Lisboa.
Já lá não punha os pés desde a minha meninice e, sempre achei que lá não devia voltar. Porque os animais não foram feitos para viver daquela maneira, porque sempre me pareceu que naquele sitio a bicharada não era bem tratada, pelo simples facto de estarem presos, enjaulados e de ali estarem para o mundano deleite de alguns.
Mas mesmo assim voltei.
Fui com a intenção de lhes fotografar os olhares, as suas texturas e saí tão mais agoniada do que quando entrei.
One of these went to the Lisbon Zoo.

I haven't set foot there since my childhood, and I always thought that I wouldn't return there. Because animals are not meant to live like that, because it always seemed to me that, in that place, the vermin aren´t treated well by the simple fact that they are trapped, caged and there to the mundane delight of some.
But still, I went back, and I left in agony...




Cada olhar me pareceu triste, solitário e recheado de lágrimas, cada pedaço de pêlo me pareceu moído e ferido, cada passada me soou pesarosa e difícil de dar, cada grasnar, cada grito daqueles sós papagaios enjaulados em celas de 2 por 3 me entrou cá dentro e jamais os esquecerei.
I intended to photograph their eyes, their textures, but every eye seemed sad to me, lonely and full of tears, every piece of hair looked bruised and wounded, every sound they made sounded mournful and hard, every cry of those lonely parrots caged in cells 2 by 3 I will never forget...







Animais sozinhos.
Em espaços que não lembram ao diabo. Todos adormecidos, entorpecidos. Como se esperassem que a vida passe num instante que esperam viver.
Alone animals.
All asleep, numb. As if they expected life to pass by in an instant they hope they won't have to live




Alguns, recompensados por façanhas que não lhes são naturais. E o público aplaude. E o animador comenta que os animais devem ser preservados no seu habitat natural. Quem ouve parece não escutar. E não assimila. 
Ficamos todos revoltados ao saber que a cada 15 minutos, um elefante é abatido por ter marfim desejado por muitos. 
Some, rewarded for achievements other than their natural. And the audience applauds. And the animator said that animals should be preserved in their natural habitat. Who hears doesn't seem to listen. And do not assimilate.

We are all disgusted to learn that every 15 minutes, an elephant is shot down just for having ivory desired by many.



Ficamos enojados, quando sabemos que existem por aí coisas que se apelidam de gente que caça por desporto, que mata porque sim, que esfola porque é porreiro. Que se matou um leão catita e simpático e o seu irmão, e todos os outros de quem não ouvimos falar. Companhias aéreas americanas que deixam de transportar os chamados troféus de caça, ou vá, animais mortos. Se adianta de alguma coisa? Talvez. Mas quem o faz por desporto, continuará a arranjar forma. Continuará a matar.
We are disgusted when we know that there are things out there that call themselves people who hunt for sport, who kills just for sport, who skin because it's cool. People who killed a quaint and friendly lion and his brother, and all those who we did not hear about. American airlines stop carrying so-called hunting trophies, or dead animals. Prospers anything? Maybe. But who does it for sport, will continue to find a way. Will continue to kill.



Enfim...
Num mundo normal, toda a bicharada andaria de "mãos dadas". Sem interesses monetários, ou outros. Todos saberíamos co-existir. Uns com os outros e com todos.
Num mundo normal, coisas como animais em vias de extinção e extintos pela mão humana, não existiram. Presas em circos e em "jardins" para deleite de outros, acabariam num ápice e não mais aqueles olhares lacrimejantes se tornariam a ver.
Anyway ...
In a normal world, all of us would walk "hand in hand". No monetary interests, or others. We would all know how to co-exist. With each other and with everyone.
In a normal world, things like endangered species and extinct animals by human hand, would not exist. Arrested in circuses and "gardens" to the delight of others, eventually at a glance and no longer those watery eyes would become about.

Eu, continuarei por aí, a tentar captar olhares, mas não estes. Nunca mais.
I failed, couldn't photograph they're eyes, but I will continue to photograph here and there, trying to capture glances, but not these. Never again.

2 Responses to “Nunca mais. Never Again.”

  1. Tiago says:

    Cara Ana Ramalho,

    Queria em primeiro lugar dar-lhe os parabéns por alguns dos registos fotográficos que apresenta neste post, que para quem gosta de animais, como eu, estão muito bons.
    Respondo neste post porque acho que precisa de conhecer uma realidade diferente daquela que fala sobre os Jardins Zoológicos.
    Quando se fala de animais ao cuidado o humano a tristeza é algo que não deve ser usado porque cientificamente o que pode ser usado para descrever a condição animal é o bem-estar. Portanto podemos dizer que estão bem ou não, e para fazer essa afirmação é necessário fazer investigação de comportamento e/ou ver índices de reprodução.
    Outro reparo, se me permite, que lhe queria fazer, é que independentemente do que as pessoas procuram no Jardim Zoológico estes são locais privilegiados para aprender e ensinar, além disso permite a criação de laços emocionais com espécies ameaçadas que vai levar a motivações para a preservação da natureza. Ninguém se lembra quando viu um elefante pela primeira vez na televisão mas certamente se lembrarão da primeira vez viram um ao vivo.
    Além disso com a mudança de paradigma dos zoos modernos, e com a introdução do enriquecimento ambiental, que é o estímulo dos comportamentos naturais, cada vez mais as pessoas podem aprender como os animais são no habitat pela a observação dos mesmos em Zoos. Os animais que diz que viu sozinhos têm mesmo que estar assim visto que têm hábitos solitários no seu habitat, por respeitarmos a sua forma de vida é que estão solitários. Os que estavam adormecidos, provavelmente seriam animais com hábitos noturnos, ou felinos que podem dormir até 16 horas por dia. Claro que o ideal seria que todas as espécies pudessem viver no seu habitat mas isso seria num mundo melhor que esse local chamado Jardim Zoológico tenta construir.
    Todas as instituições que se preocupam contribuíram para o aparecimento de instituições com a EAZA ou WAZA que ligam os zoos numa rede, fazem com que exista uma grande partilha de informação e uma gestão das populações de forma organizada e orientada para o melhor de cada espécie. Os animais que existem nos zoos destas associações não vêm da natureza, ou são trocados entre zoos ou já nasceram nos mesmo.
    Outro ponto importante é que existem animais que nasceram em zoos e que podem ser perfeitamente reintroduzidos no habitat, o Jardim Zoológico, situado em Lisboa, já fez algumas reintroduções. Inclusivamente, se hoje em dia podemos ter Ádax, Addax nasomaculatus, no habitat natural é porque este e outros zoos o reintroduziram, porque foi uma espécie que esteve extinta. Hoje em dia, alguns zoos são como uma “arca de noé”, são arcas de vida que servem para de facto para conservar os animais e não para o “mundano deleite de alguns”.
    Da parte do Jardim Zoológico são também tomadas medidas no habitat. Anualmente, são lançadas campanhas internacionais, que sustentam monetariamente e educacionalmente projectos in-situ. (http://eaza.net.greenhost.nl/assets/Uploads/Campaign-factsheets/madagascar0610.pdf )
    Para além do que está ai descrito foi feita educação com as populações locais e inclusivamente criado um festival do Lémure para uma celebração pelo facto de este fantástico animal existir naquela ilha. (continua)

  2. Tiago says:

    Continuação)
    Mais ainda, na mata atlântica, também no Brasil tal como o Pantanal, hoje em dia ainda existe Mico-leão-dourado porque foi reintroduzido pelos zoos, quer do ponto de vista da ida dos animais do zoo para o habitat, quer do ponto de vista financeiro, 2/3 dos indivíduos das populações actuais são fruto de reintroduções e são provenientes de animais nascidos ao cuidado humano. Pode consultar, http://www.micoleao.org.br é um dos projectos que os Zoos apoiam.
    Portanto tentamos inverter nos zoos tudo aquilo que nos faz ficar enjoados, as causas de ameaça, como tão bem falou no seu post.
    Tudo isto é feito com a contribuição de uma instituição privada de utilidade pública e educativa e com o estatuto de não ter fins lucrativos. Essa instituição chama-se Jardim Zoológico.
    Queria apenas terminar com: Se pensarmos bem, o que fazem os animais no zoo?
    Fazem com que as pessoas se tornem emocionalmente envolvidas com a conservação, permitem uma aprendizagem mais efetiva sobre conhecimentos científicos, permitem investigação científica e por último os animais nascem e crescem para poder dar continuidade a sua espécie e mais tarde poderem ser reintroduzidos.
    Desejo-lhe as melhores felicidades espero que tenha sido útil a informação e espero que os animais continuem a ser preservados pelos zoos, para poder continuar a tirar excelentes fotos como as que tirou porque para mim muitas delas despertaram-me sentimentos positivos devido a profundidade dos seus olhares, que não nos conseguem revelar os seus sentimentos, mas a sua beleza e singularidade enquanto indivíduos da sua espécie.



    “No final só vamos conservar aquilo que amarmos,
    só vamos amar aquilo que compreendermos,
    e só vamos compreender aquilo que nos ensinaram ”

    Baba Dioum, Conservacionista Senegalês

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