Querido estado português,
Está completa a minha contribuição forçada para o teu cofre com a entrega do meu IRS.
À semelhança do Snoopy, também eu gostava de cancelar a minha subscrição e de ser removida da tua lista de contribuintes... Posso?
Afinal de contas, o que gastas comigo é, rigorosamente nada. Tens sorte que eu sou uma pessoa relativamente saudável e as vezes que eu preciso de um médico são raras. Portanto, devo concluir que é por isso que achas que eu não preciso assim tanto de um médico de família e que por esse motivo é que não me dás um. Mas temos um problema... Eu de vez em quando preciso, sim, de qualquer coisa tua e tá quieto.
Querido estado,
as relações têm de ser reciprocas, e neste momento não sinto rigorosamente nada vindo da tua parte... Pelo contrário, estás sempre a pedir mais e mais e mais.
Então e o dinheiro que te dou durante todo o ano, e que aparentemente não chega, vai para onde hum? Para o carro de luxo com que andas, para os teus cuidados de saúde de primeira, para as viagens em executiva? Pois...
Para que saibas, o meu carro tem já onze anos acabados de fazer (não esquecer o cartão único de circulação, vulgo de parabéns, que também já está pago hã?!), eu vou para o centro de saúde às sete da manhã para ter cuidados de segunda, e viagens?!, essas, quando as faço, é em terceira...
Portanto, vá lá, retira-me da tua lista e não se fala mais nisso. Pode ser assim? Sem ressentimentos e cada um segue a sua vidinha. Que tal? Que me dizes?
E não, não vou ficar a aguardar uma resposta em breve, porque de ti já se sabe...
Atenciosamente.
