October Rain


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Neste país, como sempre disse, não pode chover.

Entra logo tudo em parafuso, meias cidades em perfeita loucura como se fosse a primeira vez que caem umas pingas mais fortes nas cidades. Das costeiras então nem se fala.

Marés vivas? Nunca se ouviu falar. Ondas de 4 e 5 metros? Naaaaa... Isso já é um tsunami e essas coisas não se passam pelo jardim à beira mar plantado.

Há mais acidentes de carro por estradas que até nem são consideradas "pontos negros". Porquê? Porque o pessoal continua a achar que conduzir a 130 km/h num piso molhado é exactamente a mesmíssima coisa que conduzir com 40 graus e num piso que não vê um pingo há um mês.

Enfim.

Por isto, devia ser proibido chover em Portugal logo a seguir ao Verão. Há que dar tempo às câmaras municipais para limparem as sarjetas e disso o S. Pedro não se lembra. Há que dar tempo ao povo para se preparar para as enormes enchurradas, para comprar as suas galochas, os seus chapéus de chuva, os seus anoraks.

Ora bolas. Mas as pessoas só se lembram das cheias do ano passado quando as sentem outra vez na pele? Que diabo. Todos os anos é o mesmo filme. Alcântara, baixa lisboeta, Santarém, Ribeira do Porto. Há que prevenir e nem tudo pode ser da responsabilidade dos poderes autárquicos. Senhores proprietários de estabelecimentos à beira mar ou à beira rio, senhores senhorios arranjem os telhados das vossas propriedades que os vossos inquilinos vos pagam para habitar.

Não se fiem que ah e tal e o Sr. São Pedro é amiguinho porque nem sempre o é, e não façam com que a culpa das inundações a que assisti estes últimos dois dias seja dele.

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