I miss me.
Ou seja, sinto a minha falta.
Sinto a falta do que fui, do que não sou, do que escondo ser, do que serei, do que sou.
Tenho saudades daquele abraço, daquelas palavras, daquele calor, daquele toque, daquele sentir, da troca de olhares, do silêncio cúmplice, do dar as mãos. De ser dois.
I miss me.
Tenho saudades de mim.
Da minha rebeldia menina, do meu riso escancarado, da minha liberdade, da minha sensatez e da falta dela, da minha pintura, dos meus sonhos.
A vida, eu sei, dá voltas e mais voltas que vão até ao infinito e mais além. E, mesmo que assim não o queiramos, acabamos por adiar o que nos é mais querido, quem nos é mais chegado. Talvez por acharmos que nunca é tarde, que o tempo espera e nós também. É mentira. Um dia a mais é sempre tarde demais. Ninguém espera por nós, nem sequer nós próprios...
I miss what I've delayed.
Tudo o que adiei, tudo o que não fiz e não disse.
Não que voltasse atrás em muitas das decisões que tomei. Afinal, essas decisões fazem de mim o que sou hoje. Mas será que poderia ser mais feliz que as opções tivessem sido outras? Talvez. Nunca o saberei. Não o quero saber, o que está feito, feito está.
Sempre fui mais de pensar que de agir, mais do sentimento que da acção, mas numa coisa tenho de passar a acreditar e, sobretudo, a aplicar:
Um dia a mais é sempre tarde demais...
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I miss... Me.
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