Ai! Os gaiatos do nosso futuro...


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Ontem começaram os exames nacionais do 9º e 12º ano.
No meu tempo, nesta altura, fazíamos as chamadas provas de aferição ou vá, mais conhecidas como provas da aflição. E eram de facto uma tragédia. Talvez por sentirmos o peso da responsabilidade por ser das provas mais importantes que tinhamos de fazer. Afinal, ali, naquele papel, julgávamos ficar definido o nosso futuro ou, pelo menos, parte dele.
Éramos meio calões na mesma, saíamos prós copos até ao dia a segui na mesma, directas e o estudo era, quase sempre, na véspera. E tínhamos orgulho e brio no nosso trabalho final.
Hoje, aparentemente não. Não há a mesma vontade.
Na minha altura de escola secundária aquelas duas horas de exame eram importantes.

Ontem, numa entrevista a um miúdo saído do exame de Português quando a jornalista seriamente lhe pergunta:

- "Então e achaste o exame difícil? Fizeste as perguntas todas?"

O puto responde com ar meio malandro meio tonto:

- " Eh pá não era difícil mas não fiz a composição! Era difícil!"

E porquê?, questiona a jornalista.

E o catraio atrofiado responde:

"Fogo! Porque era difícil! Tinha de pensar muito!"

Ora isto é extraordinário.

Espero que os pais desta criança tenham visto a triste figura e lhe tenham dado uma valente galheta.

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