Eu estou cá por
acaso. E os manos e a mãe também.
Há 77 anos, Joaquim andava p’las ruas das Caldas da
Rainha desolado por não poder ir ao tão desejado Baile das Hortenses. Era caro,
2 escudos, e o dinheiro na casa dos Teixeira imperava em outros valores que se
levantavam mais alto. Lá teria de encontrar outro esquema para galantear a
formosa morena.
No dia 19 de Setembro de 1936, o acaso ganhou. Sozinho p’la rua descia em direcção ao parque quando o vento lhe soprou O bilhete. Quim pede smoking emprestado. Quim faz a vontade ao acaso e acede ao tão desejado baile.
No dia 19 de Setembro de 1936, o acaso ganhou. Sozinho p’la rua descia em direcção ao parque quando o vento lhe soprou O bilhete. Quim pede smoking emprestado. Quim faz a vontade ao acaso e acede ao tão desejado baile.
O acaso levou-o à
mesa onde estava a morena, e dançaram sob o olhar atento e controlador dos mais
velhos.
Flirts e serenatas
à janela. Encontros furtivos, trocas de olhar, breves tocar de mãos. O acaso gerou,
assim, um amor para toda a vida.
Dessa vida de 56
anos de amor e ternura e cumplicidade em comum nasceram dois. Desses dois,
nasceram cinco. Desses cinco, eu sou uma delas. Uma das privilegiadas.
O acaso trouxe-me
aqui e ao acaso eu só posso agradecer.
Por me ter dado
vida, por me ter dado a possibilidade de privar com o Joaquim e a Armanda. De
me ter dado a hipótese de sonhar com um amor assim, de acaso, para mim. De me
ter dado a sua ternura, a sua vivência, experiência e sapiência.
A morena linda, Armanda
Celeste, é a minha Avó. Minha mãe duas vezes, como gostava de dizer. E foi.
Esteve sempre lá, mesmo quando eu achava que não precisava e desdenhava. Até ao
fim.
A minha avó, faria
hoje 100 anos. E todos faríamos uma festa em seu redor, e a encheríamos dos
mimos que merecia receber.
À minha avó, nunca
lhe disse que a amava. Sempre esteve implícito no colo que me deu, nos beijos
repenicados que recebeu, nos abraços apertados que lhe dei, nas lágrimas que
chorámos como se soubéssemos que aquela era a última vez que nos íamos ver e
falar lá em casa.
A minha avó, faz
hoje 100 anos e vou cantar-lhe os parabéns e soprar três velas por ela.
Parabéns Vó!

gosto tanto de ler o que escreves!
beijinhos para ti e parabéns para a avó
:D Bigadas!!!
Tenho de começar a pensar escrever um livro com estas memórias e estórias todas!