Sta Cruz, Timor Lorosae


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Desenho, Ruy Pacheco. Texto adaptado Ilíada, Homero


" (...) O protesto começou pelas 6h, com uma missa na igreja de Motael. Pela primeira vez, um grupo de jovens ousou pintar cartazes e ensaiar palavras de ordem. “Viva Xanana”, “Viva a resistência, “Não à integração”. Pouco depois começaram os primeiros confrontos com militares indonésios, quando os manifestantes passaram junto ao Palácio do Governo, até que, pelas 8h, o cemitério já estava rodeado por militares. Os manifestantes começam a rezar um terço junto à campa de Sebastião Gomes e ouvem-se os primeiros tiros. (...) In http://publico.pt/Mundo/vinte-anos-depois-timor-ainda-procura-as-vitimas-de-santa-cruz-1520552


Fez ontem vinte anos, televisão ligada na RTP 1, e de repente ouviam-se sirenes de alarme, tiros, gritos de aflição, passos em correria.


" E rezou-se em português, tão longe de Lisboa. " 


Em terras lusas, bem longe, arrepiámo-nos com a fuga das gentes fugidias pela noite dentro no mato circulando apinhadas num silêncio de morte.  Sentimos a revolta, a angústia, a tristeza e a morte como se do nosso povo se tratasse. As pessoas e os edifícios de Portugal, vestiram-se de branco. Cantámos e rezámos e chorámos e manifestámo-nos e, assim, num dos seus piores momentos, pelas piores razões, muitos de nós, conhecemos as gentes e as terras e parte da história de Timor Leste, hoje Timor Lorosae. 


O acontecimento foi-me caro e a outros que comigo estavam naquela altura. Fomos activos como um bando de jovens de 15 anos poderia ser naquela altura, e no fim, a consciência de que poderíamos ter feito mais não nos assolou. Aquela luta foi também a nossa, aquela indignação era partilhada por nós e quem nos dera pudéssemos ajudar mais.


Fizémos o que estava ao nosso alcance, assim como aquele povo lutou e morreu por tudo aquilo em que acreditava.


Desde 20 de Maio de 2002 que Timor Lorosae é, enfim, independente.

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