Querida Vizinha, ...


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Cara vizinha do 1º andar cujo nome tenho alguma dificuldade em me lembrar,
desde já aqui deixo publicamente o meu agradecimento e o meu pedido de desculpas, sim, vá, algo tardio.

Lamento as pragas que lhe roguei, os nomes feios que pensei em lhe chamar por antecipação e quando, por  ignorância, julguei que todo aquele milho que estranhamente aparecia estendido aqui na rua todos os dias, por volta das 5 da manhã , tinha como propósito alimentar desalmadamente aqueles bicos de pássaros que todos os dias me faziam sentir como num terrífico filme de Hitchcock.

Afinal de contas, como recentemente descobri, aquela paparoca teria como intenção erradicar a reprodução de tal malvada e nojenta espécie que faz do nosso prédio, das nossas árvores, um pombal a céu aberto.

Cara vizinha, deixe-me que lhe dê os meus parabéns, porque, aparentemente resultou. Tirando aqueles que em acto da mais tremenda estupidez se atiram, qual suicídio, para debaixo de uma roda de uma viatura qualquer, nota-se, de facto, um decréscimo naquela população, que, sem tanto arrulhar, finalmente me deixa dormir aos fins de semana para lá das 7 da manhã e não me assusta com os seus voos picados contra os estores de minhas janelas.

Portanto, e uma vez mais, querida vizinha, o meu obrigada.

PS: Aquela será, muito provavelmente, a primeira e a última fotografia desses bichos que por aqui ponho.

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