Era suposto eu hoje escrever sobre a luta fabulosa de ovos no Parlamento na Ucrânia, sobre mais uma das discriminações senseless feitas na China ralcionadas com uma tal exposição em Xangai e pessoas com o HIV, e tudo teria uma ligação, prometo, mas, hoje o dia teve um fim inesperado.
Porque em mundos normais, o abandono, o sentido de vazio, a perda não existem, e neste mundo sim. E dói. Muito.
A minha cãozinha foi hoje embora. Tal como chegou, tal como abalou.
Gostava de ser mais como o "Estrangeiro" de Camus que veria tudo isto com uma extrema naturalidade tanta como quando diz, "a minha mãe morreu hoje" e de seguida sai para jantar, no seu mundo perfeito. Mas não consigo. Porque lá está, neste mundo, estas perdas, doem. E de uma maneira que não se consegue explicar, não se consegue pôr em escrita. Sente-se. Apenas isso, o vazio sente-se.
E explico. A minha cãozinha foi, muito provavelmente, abandonada. Mas é perfeita, sem mazelas, com coleira, the works. Tinha apenas um problema. Não tinha um nome... Passou de Piruças, a Pantufas, a Pequenina, a Nina. Assim ficou, Nina. E os seus olhinhos brilharam. Aha! Finalmente acertaram! Nome de gente grande. Ficou mais tonta. Brincava, escondia-se, pulava, saltava, queria era festas assim meio de lado bem ao pé da orelha. Os olhos enterneciam-se e ali ficaria a vida inteira alternando com umas quantas lambidelas, porque isso não poderia faltar...
Ficou a cama vazia. A tigela por encher. Os petiscos por dar. Uma despedida por ser feita.
Dói uma dor que não sabia existir.