1 de Maio


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Hoje, é Dia do Trabalhador e deveria ser o único dia do ano em que ninguém trabalharia. Mas claro, eu e tantos outros estamos a trabalhar e em nada a contribuir para o crescimento de um país em decadência mas que hoje, Dia do Trabalhador, porque há quem esteja a trabalhar, há também quem não tenha mais nada que fazer e vá passear para o centro comercial xagar a paciência a quem tem de trabalhar e gastar o dinheiro que não tem em compras desnecessárias e em promoções loucas fora de época para depois se queixar o resto do mês. Hoje, dia do Trabalhador que é válido sim, mas só para alguns.


Hoje, fosse eu a mandar, era O único dia do ano em que ninguém trabalharia, a não ser uns quantos cirurguiões para as emergências e outros tantos polícias, porque ainda há pessoal desorientado...
Centros comerciais, fechados que as compras podem esperar e o que se pode comprar hoje, também o pode ser amanhã. Portagens sem portageiros e à borla (do tipo Agosto antigamente). Bica era a beber em casa nas Nespresso que custaram meio ordenado minimo. Telejornais, nada disso - o mundo está na mesma de hoje para amanhã, além disso, passamos bem sem ouvir as trafulhices politicas e outras guerras das quais só ouvimos falar. Metros, autocarros, comboios e barcos tudo a parar tipo como fazem nas greves - o pessoal se quiser ir passear ali para o Jardim da Estrela ou de Belém, desenrasca-se. Tuga que é tuga, desenrasca-se sempre.


Hoje, haverão manifestações, organizadas pelas unidades sindicais cá do sitio, a descer a avenida qual santos populares e discursos estudados em plena Alameda escutados pelos poucos ouvidos que lá estarão porque o S. Pedro não está a colaborar - eu vou, pelo menos com um par de ouvidos podem contar!
Infelizmente, para muito português, continua a ser preferível passar a manhã de rabo na cama e a tarde a ver filmes no sofá sem pensar muito porque isso dá trabalho e isso hoje é que não!, ou num hipermercado qualquer a gastar o vencimento (que não chega) de um mês em que nem se trabalhou muito por aí além - há quem o faça por ele, há sempre alguém que faça aquilo que não lhe compete.


Enfim... Hoje, eu estou a trabalhar e não me apetece. Não só porque é o dia que é, mas uma catrefa de outros tantos motivos que não são para aqui chamados.

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